Os investidores adotaram uma postura defensiva na quarta-feira, 3 de junho de 2026, levando o principal índice da B3 a registrar o pior desempenho em quase um mês. O Ibovespa recuou 2,22% e encerrou o pregão aos 170.330 pontos, devolvendo os ganhos obtidos no dia anterior e atingindo o menor patamar desde 20 de janeiro.
O sentimento negativo foi alimentado, sobretudo, pela combinação de tensões geopolíticas no Oriente Médio e pela possibilidade de novas barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos. O Escritório do Representante Comercial norte-americano (USTR) avançou com propostas que preveem tarifa de 25% para parte das exportações brasileiras, desta vez vinculadas a investigações sobre suposto trabalho forçado. A medida se soma à discussão, já em andamento, de sobretaxar etanol importado do Brasil.
Nos Estados Unidos, as bolsas interromperam a sequência de recordes recente após o agravamento do conflito envolvendo Washington e Teerã. Como reflexo, fundos internacionais reduziram a exposição a mercados emergentes e buscaram ativos de menor risco, comportamento que se refletiu diretamente na fuga de recursos da bolsa brasileira.
No câmbio, o real acompanhou o mau humor global. A divisa norte-americana avançou 1,14% e encerrou cotada a R$ 5,067, depois de tocar a máxima de R$ 5,09 durante a tarde. Trata-se do nível mais alto desde 8 de abril. Ainda assim, o acumulado do ano mostra queda de 7,69% do dólar frente à moeda brasileira.
Profissionais de mesa destacaram que o volume de negócios foi inflado por ajustes prévios ao feriado de Corpus Christi, que reduzirá a liquidez nos próximos dias. Além disso, dados econômicos mais fortes divulgados em Washington reforçaram a aposta de que os juros por lá permanecerão elevados por mais tempo, o que favorece a entrada de capital estrangeiro nos títulos do Tesouro dos Estados Unidos.
O preço do petróleo reforçou o clima de cautela. O barril do Brent subiu 1,89%, para US$ 97,81, enquanto o WTI ganhou 2,4%, fechando a US$ 96,02. Analistas alertam que o Estreito de Ormuz, rota vital para cerca de um quinto do comércio global de energia, segue vulnerável a interrupções caso o impasse entre Estados Unidos e Irã escale.
Na B3, praticamente todas as blue chips encerraram o dia no vermelho. Os papéis da Petrobras recuaram, acompanhando oscilações do petróleo e incertezas sobre a trajetória dos combustíveis no mercado interno. Vale e siderúrgicas também foram pressionadas pela possibilidade de tarifas norte-americanas.
Apesar do tombo desta quarta-feira, o Ibovespa ainda acumula valorização de 5,71% em 2026. No entanto, no curto prazo, operadores avaliam que o índice poderá testar novos suportes caso não surjam sinais de alívio no quadro geopolítico ou nas negociações comerciais.
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