O Copom se reúne nesta segunda para debater a Selic, hoje em 14,75% ao ano. A decisão sai amanhã e pode afetar crédito, financiamentos e o bolso do brasileiro.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central inicia HOJE, 16/06, a primeira de duas sessões que definirão o rumo da taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 14,5% ao ano. A deliberação será concluída amanhã (17), quando o mercado conhecerá se o colegiado enxergará espaço para novo corte ou manterá a taxa elevada diante das incertezas no cenário global.
Na reunião de abril, os diretores do BC aprovaram, por unanimidade, uma redução de 0,25 ponto percentual – segundo recuo seguido, mas em ritmo mais lento. À época, o Copom apontou como principal motivo as tensões geopolíticas no Oriente Médio e o risco de uma inflação mais resistente.
No documento divulgado após aquela decisão, o colegiado reiterou que acompanha atentamente a evolução do conflito, bem como a política monetária dos Estados Unidos. Ao justificar a postura cautelosa, o texto destacou:
“O Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo”.
As incertezas reforçaram o pessimismo dos analistas. O Boletim Focus, divulgado ontem (15), elevou a projeção da Selic para 13,5% ao ano até o fim de 2026, contra 13,75% estimados na semana anterior. Para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o mercado já antevê inflação de 5,3% em 2026, décima quarta alta consecutiva na previsão e acima do teto da meta de 4,5% fixada pelo Conselho Monetário Nacional.
Enquanto o Copom decide os juros, outra pauta relevante pode avançar em Brasília. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), convocou para HOJE, às 14h, reunião do colégio de líderes a fim de destravar o Projeto de Lei 1838/26, que extingue a escala 6×1 e limita a jornada a 40 horas semanais, com dois dias de descanso consecutivos.
“Convoquei reunião de líderes para amanhã (16), às 14h. Na ocasião, o deputado @leopratesba vai esclarecer pontos do seu parecer sobre o PL que acaba com a escala 6×1, apesar de já termos aprovado a PEC sobre a redução da jornada de trabalho. Com a apreciação da matéria, destravamos a pauta da Casa”, escreveu Motta em rede social.
O relator Léo Prates (Republicanos-BA) sinaliza manter o conteúdo da PEC aprovada em maio, que corta a jornada semanal de 44 para 40 horas e adota o regime 5×2 (cinco dias de trabalho por dois de descanso). Como o projeto tramita em regime de urgência, impede a votação de outras matérias ordinárias até ser apreciado pelo plenário.
Investidores acompanham de perto ambos os debates. Uma eventual redução da Selic tende a baratear crédito para empresas e consumidores, enquanto a mudança na legislação trabalhista pode alterar custos de mão de obra em diversos setores. Nos próximos dois dias, portanto, decisões que influenciam o bolso de trabalhadores, empresários e do governo estarão no centro das atenções.
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