O mercado financeiro mantém inalterada, em 5,33%, a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026, conforme a edição mais recente do Boletim Focus divulgada nesta segunda-feira, 29/06. O dado consolida a segunda semana seguida de estabilidade após 15 meses de revisões para cima, mas continua acima da meta de 3% definida pelo Conselho Monetário Nacional, que admite banda de tolerância entre 1,5% e 4,5%.
Para 2027, a curva projetada segue em trajetória ascendente e passa de 4,15% para 4,17%. Já as expectativas para 2028 e 2029 ficam estáveis em 3,7% e 3,5%, respectivamente, apontando convergência lenta em direção ao centro da meta apenas no longo prazo.
Os analistas consultados preservam também a previsão da taxa básica de juros. A taxa Selic estimada para o fim de 2026 continua em 14% ao ano, sugerindo mais um corte de 0,25 ponto percentual em relação ao patamar atual de 14,25% definido pelo Comitê de Política Monetária no encontro de 17 de junho. A próxima reunião do colegiado está marcada para 4 e 5 de agosto.
A Selic projetada para 2027 permanece em 12% ao ano. Para 2028, há leve ajuste para cima, de 10,25% para 10,5%. No horizonte de 2029, o consenso indica 10% ao ano, sinalizando que o ciclo de afrouxamento monetário, embora gradual, deve seguir até o fim da década.
O Produto Interno Bruto (PIB) de 2026, que mede a soma de todos os bens e serviços finais produzidos no país, avança de 1,98% para 1,99%. O ganho é modesto, mas confirma percepção de retomada lenta. Para 2027, a projeção recua de 1,7% para 1,68%. Em 2028 e 2029, o documento mantém expansão de 2% ao ano, cenário considerado compatível com o crescimento potencial da economia brasileira.
No front cambial, a expectativa para a cotação média do dólar no final de 2026 segue em R$ 5,20. Para 2027, a projeção salta de R$ 5,27 para R$ 5,58. Em 2028, o câmbio previsto sobe de R$ 5,30 para R$ 5,35, enquanto a projeção para 2029 fica parada em R$ 5,40.
Especialistas avaliam que a trajetória simultaneamente elevada da inflação e dos juros reforça o desafio da política monetária no curto prazo. Eles também destacam que um ambiente fiscal mais previsível pode ajudar a ancorar expectativas. As próximas semanas devem ser decisivas para entender se a estabilidade recém-registrada na inflação projetada se consolidará ou dará lugar a novos ajustes.
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