BOLÍVIA — Protestos contra o presidente Rodrigo Paz mantêm pressão por sua renúncia, com 23 bloqueios em rodovias nesta segunda-feira (18), segundo levantamento da Administradora Boliviana de Estradas (ABC).
- 23 bloqueios em estradas, sendo 13 nos arredores de La Paz.
- Obstruções também registradas em rodovias que ligam Oruro, Potosí, Santa Cruz e Cochabamba.
- Protestos têm causado escassez de alimentos, combustíveis e outros insumos nos mercados de La Paz.
- Defensoria Pública da Bolívia relata 47 apreensões e cinco feridos em confrontos em El Alto no sábado (16).
Bloqueios e impactos em La Paz
A maior concentração de bloqueios está nos arredores de La Paz, com 13 estradas fechadas por manifestantes. Há expectativa de que grupos desçam em marcha até o centro da capital, onde fica a sede do governo.
As ações já provocam falta de alimentos e combustíveis nos mercados da cidade.
Repressão e registros oficiais
Durante o fim de semana, houve repressão policial em vários pontos de El Alto. A Defensoria Pública da Bolívia informou que os confrontos no sábado (16) resultaram em 47 detenções e cinco feridos; grupos campesinos também denunciam ao menos dois mortos em confrontos na cidade.
Fonte: https://www.defensoria.gob.bo/noticias/defensor-del-pueblo-reporta-47-aprehendidos-y-cinco-heridos-en-conflictos-y-llama-al-dialogo-para-desescalar-la-tension
Reivindicações e revogação da lei
O movimento reúne camponeses, indígenas, mineiros, professores e outros setores. Os protestos se intensificaram após uma lei sobre terras que, segundo manifestantes, favoreceria grandes empreendimentos agrícolas em detrimento de pequenos agricultores. O presidente Rodrigo Paz revogou a norma na semana passada, mas as manifestações continuaram e ampliaram adesões.
Acusações cruzadas
Organizações sociais afirmam que a repressão deixou mortos, feridos e detidos, enquanto o governo denuncia o uso de armas e dinamites por parte de manifestantes e divulga vídeos de grupos armados nas estradas.
“Também houve relatos de ataques e obstrução do trabalho da imprensa, bem como confrontos entre manifestantes e moradores em alguns dos pontos de bloqueio.” — Pedro Callisaya, defensor público
“De forma violenta e criminosa o governo interveio na mobilização do povo deixando como saldo falecidos, feridos e detidos em consequência da brutalidade da polícia e do Exército” — Confederação Nacional de Mulheres “Bartolina Sisa”
“Todos esses indivíduos que estão promovendo a violência, e qualquer pessoa que possua ou porte qualquer arma, dinamite ou qualquer coisa que possa ferir outra pessoa, será presa.” — José Luis Gálvez, porta-voz da Presidência da Bolívia
“[Eles acusam] as pessoas que se levantaram contra os opressores de conspiração, terrorismo e tráfico de drogas. Os eternos golpistas, assassinos em massa, traidores e executores da Operação Condor têm a audácia de clamar que a democracia está em risco” — Evo Morales, ex‑presidente da Bolívia
“Não nos vão curvar na luta que travamos; estão querendo nos calar como liderança com ações populares e processos penais” — Mario Argollo, secretário-executivo da Central Operária Boliviana (COB)
A pressão nas ruas segue, com reforço de marchas e bloqueios em diferentes regiões do país, enquanto autoridades e movimentos trocam acusações sobre responsabilidades pela violência.
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