O governo brasileiro confirmou, na quinta-feira (02/07), mais uma etapa das negociações com os Estados Unidos para tentar barrar a aplicação de tarifas sobre produtos nacionais. A decisão foi tomada após reunião de alto nível entre o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Márcio Elias Rosa, e o representante de Comércio norte-americano, Jamieson Greer.
De acordo com o Mdic, as equipes técnicas dos dois países voltarão a se encontrar no início da próxima semana, com o objetivo de alinhar propostas e preparar um novo encontro ministerial antes de 15 de julho, data-limite anunciada por Washington para decidir se adota ou não medidas tarifárias.
O diálogo, considerado “construtivo” pelos dois lados, busca cumprir a orientação dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, que se reuniram em 7 de maio e determinaram a busca de uma solução negociada para o comércio bilateral.
Esta foi a quarta reunião de alto nível entre Rosa e Greer. As anteriores aconteceram em 19 e 28 de maio e em 13 de junho, além de conversas técnicas frequentes por videoconferência. A maratona de discussões é vista como essencial para reduzir divergências e afastar o risco de um “tarifaço”.
Os negociadores discutem seis eixos da investigação aberta pelos EUA com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana:
- comércio digital;
- tarifas preferenciais;
- combate à corrupção;
- proteção à propriedade intelectual;
- etanol;
- desmatamento ilegal.
Durante o encontro, a delegação brasileira também rebateu críticas de Washington a políticas nacionais de comércio eletrônico, sistemas de pagamento e decisões judiciais.
“Estamos tentando construir um consenso. O tempo corre contra. O prazo é 15 de julho”, afirmou Márcio Elias Rosa em evento no Rio de Janeiro.
“Toda vez que caminhamos positivamente surge um novo atropelo que precisamos superar”, completou o ministro, citando fatores externos que dificultam o avanço das tratativas.
“Se o Brasil sair da mesa técnica, vai cair no equívoco daqueles que patrocinam o unilateralismo”, acrescentou, defendendo a permanência do país nas negociações.
Rosa também criticou, sem citar nomes, atores políticos que, segundo ele, misturam disputas eleitorais com a pauta comercial e “poluem o debate”.
Para especialistas, a manutenção do diálogo é decisiva para preservar cadeias produtivas conjuntas, sobretudo nos setores automotivo, do agronegócio e de tecnologia. Caso o entendimento não seja alcançado até 15 de julho, as empresas brasileiras podem enfrentar sobretaxas imediatas, enquanto companhias americanas que operam no Brasil também sofreriam impactos.
A próxima rodada técnica, marcada para o início da semana que vem, deve detalhar propostas sobre comércio digital e propriedade intelectual — pontos em que ainda há maior distância entre as partes. Se houver avanço, um novo encontro ministerial pode selar acordo antes do prazo final.
Por ora, Brasília e Washington concordam que o processo permanece aberto e destacam que conversas frequentes são o caminho mais curto para evitar medidas unilaterais que prejudiquem ambos os mercados.
Siga o AjuNews e entre no nosso grupo de notícias de Aracaju.




