O Brasil encerrou 2025 com 703 acidentes envolvendo a rede elétrica, número que representa alta de 2,6% em relação aos 685 registros de 2024. O balanço foi apresentado nesta terça-feira (7) pela Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), que reúne 42 concessionárias responsáveis por atender 99,8% da população.
Apesar do avanço nas ocorrências totais, as fatalidades recuaram. Foram 252 óbitos em 2025, cinco a menos que os 257 contabilizados no ano anterior. A diretora de Comunicação e Sustentabilidade da entidade, Cristina Garambone, ressaltou que cada estatística traz um drama humano.
“Por trás de cada acidente há a vida de uma pessoa e uma família impactada”, lembrou a executiva.
A construção civil manteve-se como atividade de maior risco, concentrando 227 acidentes no ano passado, com 68 mortes. A Abradee identifica desde reformas domésticas até grandes obras entre as principais fontes de perigo, muitas vezes associadas a procedimentos improvisados ou falta de profissionais habilitados.
“Em momentos de distração ou quando alguém tenta dar um ‘jeitinho’, o choque pode ser fatal, inclusive dentro de casa”, alertou Cristina.
Os dados revelam ainda 241 lesões graves – que incluem mutilações – e 210 ferimentos leves. Equipamentos manuseados próximo à rede chegam ao topo da lista de fatores de risco emergentes: 66 registros em 2025, praticamente o dobro do ano anterior, envolvem tratores, guindastes e outras máquinas de grande porte.
Ligações clandestinas, conhecidas popularmente como “gatos” ou “macacos”, originaram 30 ocorrências e resultaram em 15 mortes. Para a Abradee, a prática continua agravando perdas financeiras no setor e colocando usuários em situação extrema de vulnerabilidade.
Quando analisados por região, os números mostram concentração no Sudeste, com 243 acidentes, 78 mortes, 91 lesões graves e 74 leves. O Nordeste vem em seguida (187 acidentes e 67 mortes), enquanto o Norte somou 122 casos e 50 óbitos – cenário atribuído principalmente a intervenções irregulares na rede. O Sul registrou 81 acidentes e 31 mortes, influenciado por obras e manutenção predial. No Centro-Oeste, 70 ocorrências deixaram 26 vítimas fatais, muitas delas ligadas a atividades realizadas próximo a cabos energizados.
Para mudar esse quadro, a Abradee lançou a 20ª Campanha Nacional de Segurança com a Rede Elétrica. Sob o slogan “Energia liga. Segurança protege”, a mobilização segue até setembro. Em agosto, a iniciativa ganha reforço com o “Agosto Vermelho”, período de comunicação intensificada sobre riscos e procedimentos seguros.
A associação reforça que apenas profissionais qualificados devem executar serviços próximos a instalações elétricas, além de recomendar o desligamento preventivo da energia em qualquer intervenção. A orientação vale para empresas, órgãos públicos e consumidores residenciais.
“Segurança é responsabilidade coletiva. Para zerar os acidentes, precisamos de informação e adesão de toda a sociedade”, concluiu Cristina Garambone.
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