Milhares de pessoas enfrentam chuva, frio intenso e estradas bloqueadas no sul do Líbano, onde combates entre Israel e o grupo Hezbollah deixaram, em menos de três semanas, 1 milhão de deslocados, 1 mil mortos e 2,5 mil feridos. A reportagem, com transmissão: Band, ouviu brasileiros que vivem o dia a dia do conflito.
Naturalizado brasileiro, o padeiro Hussein Melhem, 45 anos, morador da cidade costeira de Tiro (ou Tyre), abandonou o apartamento na madrugada de 2 de março, quando mísseis sobrevoaram o prédio.
“Parece um terremoto os mísseis passando por cima. Saímos apenas com um pouco de roupa”, contou à Agência Brasil.
Ele diz sentir “raiva, tristeza e incerteza” enquanto gasta as economias sem poder reabrir a padaria atingida. Segundo Melhem, há poucas pontes ativas para o sul, ruas vazias e extensos danos a moradias e infraestrutura.
“Cobraram US$ 2 mil de aluguel. Minha casa própria foi bombardeada. Não sei o que fazer”, relatou o pai de três filhas, hoje abrigado temporariamente na casa de um conhecido.
Medo constante
O comerciante brasileiro-libanês Aly Bawab, 58 anos, que vive em Manaus (AM), chegou ao Líbano em 28 de fevereiro para visitar familiares. Após ver um prédio ruir no sul, mudou-se para Beirute, onde ouve bombardeios diários.
“É dia e noite. Aviões ultrapassam a velocidade do som só para assustar”, afirmou. “No último ataque, o corpo tremeu com a vibração da explosão.”
Bawab diz tentar manter a calma para a esposa e os três filhos, mas descreve amigos que perderam parentes e outros que não conseguiram deixar a região sul.
“É traumatizante. Ninguém sabe quanto tempo essa guerra vai durar”, acrescentou.
Conflito se amplia
A historiadora da UFRJ Beatriz Bissio avalia que Israel repete no Líbano a estratégia usada na Faixa de Gaza.
“É uma versão libanesa do genocídio em Gaza, especialmente no sul, após a frustração de aniquilar o Hezbollah”, disse.
Os ataques israelenses intensificaram-se a partir de 2 de março, quando o Hezbollah voltou a lançar foguetes contra Israel após o assassinato do líder iraniano Ali Khamenei. Bissio destaca aldeias destruídas, colheitas paradas e grande sofrimento civil.
Ataques de ambos os lados
A Força de Defesa de Israel afirma ter atingido 2 mil alvos no Líbano e matado 570 integrantes do Hezbollah desde o início de março. O Hezbollah, por sua vez, informou ter realizado 39 operações militares apenas nesta sexta-feira (20), incluindo o disparo de míssil contra um tanque Merkava em Taybeh.
Entenda o histórico
O Hezbollah nasceu na década de 1980, em reação à ocupação israelense. Expulsou as tropas de Israel em 2000, tornou-se partido político e voltou a confrontar o vizinho em 2006, 2009 e 2011. A fase atual ganhou força a partir de 2023, quando o grupo passou a lançar foguetes em solidariedade aos palestinos de Gaza.
Fonte: Agência Brasil
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