Em paralisação desde 10 de setembro, os empregados da Caixa Econômica Federal marcaram para a próxima segunda-feira, 21/09, a votação que vai definir se o movimento grevista continua ou se as atividades serão retomadas. Na data, das 11h às 18h, a categoria analisará, de forma virtual, a mais recente proposta apresentada pela direção do banco para o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2026/2028.
O principal ponto em discussão é o custeio do plano de saúde Saúde Caixa. Os trabalhadores reivindicam o retorno da divisão de despesas na proporção de 70% para o banco e 30% para os empregados. A oferta encaminhada pela Caixa na madrugada de quinta-feira, 17/09, eleva de 6,5% para 9% da folha de pagamento o limite de participação financeira da instituição a partir de 2027.
Segundo a proposta, o modelo solidário do plano será mantido, sem diferença de cobrança por faixa etária. Além disso, não haverá reajuste das mensalidades em 2026, ano em que o déficit previsto do Saúde Caixa ficará sob responsabilidade da empresa. Em cada Gerência de Pessoas e em cada Representação Regional de Pessoas (Repes) está prevista a designação de, ao menos, um funcionário exclusivamente dedicado ao acompanhamento do benefício.
Outro compromisso é a criação, em até 60 dias, de um grupo de trabalho paritário que discutirá novo modelo de gestão para o plano de saúde. A categoria aponta esse item como essencial para acompanhar a sustentabilidade do benefício no médio e longo prazos.
“A ampliação da participação da Caixa de 6,5% para 9% é um avanço importante, pois representa um aumento recorrente da participação da Caixa de cerca de R$ 900 milhões”, avaliou a coordenadora do Comando Nacional dos Bancários e presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira.
Os empregados atribuem as mudanças apresentadas pelo banco à mobilização nas agências e departamentos desde o início da greve. Eles afirmam que o movimento demonstrou a necessidade de ampliar o aporte financeiro ao plano e de preservar o pacto intergeracional que sustenta o Saúde Caixa.
Além dos itens ligados à assistência médica, a negociação iniciada na quarta-feira, 16/09, trouxe ajustes no programa de remuneração variável Super Caixa. Para o segundo semestre de 2026, a premiação inicial por habilitação poderá saltar de 25% para 50%. Quanto ao Plano de Funções Gratificadas (PFG), a instituição se comprometeu a abrir espaços de escuta com representantes dos empregados e a debater o tema em grupo paritário.
Outro ponto mantido é o pagamento de um prêmio de R$ 3 mil por empregado, referente à superação do Índice de Eficiência Operacional (IEO) de 2026, meta já alcançada em junho deste ano. A proposta também prevê que o dia 20 de agosto, quando houve paralisação, seja abonado caso o acordo seja aprovado. Já os demais dias úteis parados deverão ser compensados em até 180 dias.
Antes da votação, está programada plenária virtual das 9h às 11h para esclarecimento de dúvidas. Caso a categoria aceite o ACT, a expectativa é de que a greve seja encerrada ainda na próxima semana, normalizando o atendimento nas agências e a execução dos serviços internos.
Na hipótese de os trabalhadores rejeitarem a oferta, a paralisação seguirá por tempo indeterminado, enquanto as lideranças sindicais articulam novas rodadas de negociação. A Caixa não se posicionou publicamente sobre eventuais impactos operacionais desde o início do movimento.
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