Documento do Conselho Brasileiro de Oftalmologia, apresentado no 70º Congresso em Salvador, orienta periodicidade das consultas por idade e risco. Portadores de diabetes e outras doenças crônicas devem consultar com mais frequência.
De quanto em quanto tempo é preciso consultar um oftalmologista? A idade influencia nessa decisão? Condições crônicas, como diabetes, mudam a frequência das visitas? Um documento divulgado nesta quinta-feira (10) pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) e apresentado durante o 70º Congresso da especialidade, que ocorre até sábado (12) em Salvador, traz orientações claras sobre a periodicidade das avaliações de visão.
O documento ressalta que a consulta oftalmológica periódica é um cuidado essencial para a saúde ocular, pois permite diagnosticar precocemente e tratar de forma oportuna doenças que muitas vezes evoluem de forma silenciosa e podem provocar perda visual irreversível.
“Somente por meio desse encontro se torna possível fazer o diagnóstico precoce e o tratamento oportuno de doenças que acometem a visão”
— Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) em comunicado.
Recomendações por faixa etária
Orientações gerais
- Parâmetros mínimos: os intervalos listados são referências para pessoas sem doença ocular diagnosticada e sem fatores de risco.
Idades e exames
- Recém-nascido: teste do reflexo vermelho realizado pelo pediatra nas primeiras 72 horas de vida ou antes da alta; alteração exige encaminhamento urgente ao especialista.
- 0 a 36 meses: repetição do teste do reflexo vermelho nas consultas médicas; realizar menos de três vezes ao ano durante os três primeiros anos, avaliando marcos do desenvolvimento visual, fixação e alinhamento ocular.
- 6 a 12 meses: primeira consulta oftalmológica completa para detectar e tratar precocemente falhas no desenvolvimento visual.
- 3 a 5 anos: ao menos uma consulta oftalmológica completa, incluindo inspeção dos olhos e anexos, avaliação da função visual, testes de motilidade e alinhamento, refração sob cicloplegia e fundo de olho sob dilatação, preferencialmente antes da alfabetização.
- Idade escolar e adolescência (até 18 anos): reavaliação periódica, com avaliação oftalmológica completa entre 12 e 18 anos, período de maior surgimento e crescimento da miopia entre estudantes.
- Adultos até 39 anos: avaliação periódica mesmo sem sintomas, pois doenças relevantes podem ocorrer sem sinais aparentes.
- A partir dos 40 anos: consulta anual; prevalência de glaucoma sobe para cerca de 2% após os 40 anos e a presbiopia aumenta progressivamente.
- Idosos: acompanhamento anual, no mínimo, com atenção reforçada à catarata senil e ao glaucoma; estimativas internacionais indicam degeneração macular em cerca de 2,2% entre 70 e 79 anos e até 10,3% em quem tem 80 anos ou mais.
Doenças crônicas e fatores que exigem acompanhamento intensificado
O documento enfatiza que o diagnóstico de doença crônica, histórico familiar de doenças oculares ou exposições específicas justificam redução dos intervalos entre consultas, a serem definidas pelo oftalmologista após avaliação individual.
Principais fatores a serem considerados
- Diabetes: cerca de 50% dos pacientes desenvolvem algum grau de retinopatia diabética; a proporção pode chegar a aproximadamente 80% após 25 anos de doença. Pacientes diabéticos têm quase 30 vezes mais chance de tornar-se cegos; recomenda-se avaliação com pupilas dilatadas desde o diagnóstico e acompanhamento regular. Gestantes com diabetes devem ter seguimento específico.
- Histórico familiar de glaucoma: parentes de primeiro grau têm entre 4 e 8 vezes mais chance de desenvolver a doença; grupo de risco inclui pessoas com mais de 50 anos, afrodescendentes e pacientes com pressão intraocular elevada.
- Histórico familiar de outras doenças oculares: condições como ceratocone, distrofias corneanas e retinose pigmentar justificam avaliação antecipada e acompanhamento periódico dos familiares.
- Miopia e miopia elevada: aumentam o risco de deslocamento de retina, glaucoma e degeneração macular miópica; crianças míopes devem ser acompanhadas a cada 12 meses e, se não controladas, a cada 6 meses.
- Prematuridade: recém-nascidos com peso ≤ 1.500 g ou idade gestacional ≤ 32 semanas devem passar por rastreamento de retinopatia da prematuridade nas primeiras semanas de vida, com acompanhamento contínuo.
- Uso de corticoides (especialmente tópicos oftálmicos): de 30% a 40% dos indivíduos apresentam elevação da pressão intraocular por causa dessas medicações (5% a 6% em situações elevadas); uso prolongado exige acompanhamento para evitar cegueira irreversível por glaucoma.
- Uso de lentes de contato: exige acompanhamento ao menos anual, ou em intervalo menor quando indicado pelo especialista.
O documento deixa claro que cabe ao oftalmologista individualizar os intervalos entre consultas, intensificando o acompanhamento sempre que fatores de risco ou sinais clínicos assim o sugerirem.
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