A Comissão de Defesa dos Direitos Humanos Dom Paulo Evaristo Arns (Comissão Arns) se manifestou com repúdio, em nota, nesta sexta-feira (9), à declaração do vice-presidente da República, Hamilton Mourão, que alegou que o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra foi “um homem de honra, que respeitou os direitos humanos dos seus subordinados”.
“As palavras do vice-presidente, que é um general reformado do Exército, não apenas desonram as Forças Armadas, como agridem a dignidade dos que padeceram nas mãos desse torturador já condenado pela Justiça”, disse a comissão, em nota.
“Ao proferir tais elogios, Hamilton Mourão conspurca, de saída, a honra dos militares brasileiros. Ao fazê-lo na condição de vice-presidente, constrange a Nação e desrespeita a memória dos que tombaram sob Ustra”, acrescentou.
O vice-presidente fez a declaração sobre Ustra, condenado por tortura na ditadura militar, em entrevista ao jornal alemão Deutsche Welle. Na oportunidade, ele ainda afirmou que os militares “fizeram coisas muito boas pelo Brasil e outras coisas não foram tão bem”, e disse que a “história só pode ser julgada com o passar do tempo”.
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