O índice de confiança do consumidor em São Paulo caiu 0,4% em maio, atingindo 120,6 pontos. Apesar da leve queda, o indicador segue acima da linha do otimismo e 7,9% maior que em 2024.
O humor do comprador paulistano recuou ligeiramente em maio. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) fechado para a cidade de São Paulo atingiu 120,6 pontos, contra 121,1 pontos registrados em abril, o que representa queda de 0,4%. Os números foram divulgados na segunda-feira, 08/06, pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).
Ainda assim, o indicador permanece bem acima da marca de 100 pontos — linha que separa o otimismo do pessimismo — e está 7,9% maior do que o apurado em maio de 2025. A metodologia do ICC varia de zero, para pessimismo total, a 200, para otimismo pleno, permitindo medir a disposição das famílias para consumir ou poupar.
De acordo com a entidade, o resultado de maio refletiu um cenário econômico em que fatores positivos e negativos travam um “cabo de guerra”. Pelo lado que freia a confiança, a taxa básica de juros (Selic), fixada em 14,5% ao ano, encarece o crédito e desestimula compras parceladas, sobretudo de bens duráveis como eletrodomésticos e veículos. Juros elevados também restringem o acesso a financiamentos e alongam decisões de investimento das famílias.
Em contrapartida, a pesquisa identificou um impulso vindo do Desenrola Brasil, programa federal que permite renegociar dívidas de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal com abatimentos que podem chegar a 90%. A possibilidade de “limpar o nome” reacende a intenção de consumo de parte dos endividados.
“O programa pode melhorar a percepção futura das famílias sobre a própria reorganização financeira, mas seus efeitos concretos sobre o consumo devem ser graduais e dependem da adesão efetiva, das condições oferecidas pelas instituições financeiras e da real capacidade familiar de pagamento”, avaliou a FecomercioSP em nota.
Analistas lembram que, mesmo acima de 120 pontos, o índice revela sensibilidade a mudanças no bolso do consumidor. Um eventual ciclo de queda nos juros, somado à manutenção do emprego formal e ao controle dos preços, tende a reforçar o movimento de confiança nos próximos meses. Já a permanência da Selic em patamar elevado ou a retomada da inflação pode anular a tração gerada por programas de renegociação e pressionar o índice para baixo.
O recuo de maio também chama a atenção porque interrompe duas leituras mensais de alta, observadas em março e abril. Portanto, a movimentação de junho será crucial para entender se a leve queda foi pontual ou o início de uma tendência. A FecomercioSP divulgará a próxima leitura no início de julho.
Para o comércio da capital, o momento é de cautela planejada. Lojistas acompanham a evolução da confiança para calibrar estoques de Dia dos Pais e para o início do segundo semestre, quando as compras de volta às aulas e as primeiras projeções da Black Friday começam a entrar no radar.
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