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Completado o primeiro mês da guerra travada por Estados Unidos (EUA) e Israel contra o Irã, um levantamento do Observatório de Conflitos e Meio Ambiente (Ceobs, na sigla em inglês) confirma a escalada dos impactos ambientais e climáticos na região. De acordo com o relatório, mais de 300 incidentes com prejuízos ao meio ambiente foram registrados apenas nas três primeiras semanas do confronto.
Os pesquisadores alertam que a continuidade das hostilidades ameaça a saúde pública, os ecossistemas terrestres e marinhos, além de recursos naturais e aquíferos em países como Irã, Iraque, Israel, Kuwait, Jordânia, Chipre, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Omã e Azerbaijão.
Principais riscos listados
Riscos nucleares: Israel atingiu a instalação de enriquecimento de Natanz e áreas próximas ao reator de Bushehr, enquanto cidades vizinhas ao complexo nuclear israelense no deserto de Negev foram bombardeadas em retaliação. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) manifestaram preocupação com eventual emergência nuclear.
Infraestrutura de combustíveis fósseis: dezenas de locais de produção, processamento e armazenamento de petróleo e gás sofreram danos, gerando incêndios e emissões adicionais de gases de efeito estufa por vazamentos de metano e queima de emergência.
Golfo Pérsico: embora a maioria dos navios atacados pelo Irã fosse cargueiro a granel, o relatório aponta risco permanente de derramamentos de óleo, com capacidade de resposta limitada.
Mar Vermelho: ataques do movimento Houthis, do Iêmen, a embarcações provocaram episódios graves de poluição; ações de retaliação de EUA e Israel contra portos e instalações energéticas ampliam o risco de contaminação costeira.
Consequências globais: a pressão sobre o mercado de gás leva alguns países a aumentar o uso de carvão, enquanto a alta nos preços de ureia e fertilizantes ameaça a produção agrícola em importadores como Sudão e Somália.
Preocupação internacional
“O impacto ambiental deste conflito é imediato e severo. Os ataques aos depósitos de petróleo estão espalhando poluição tóxica, enquanto a escassez de água no Irã e no Oriente Médio se agrava. Um cessar-fogo é urgentemente necessário para proteger a saúde humana e ambiental”, declarou Inger Andersen, diretora executiva do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).
Irã e Líbano apresentaram queixas à Organização das Nações Unidas (ONU) acusando Israel de ecocídio. O governo iraniano afirmou que o bombardeio a reservatórios de combustível em Teerã “se enquadra na definição de crime ambiental” e cobrou responsabilização internacional de Israel e dos EUA.
Custo climático
Estimativa do Climate and Community Institute indica que, em apenas 14 dias, o conflito gerou 5 milhões de toneladas de dióxido de carbono (tCO2). Se mantido o ritmo, as emissões mensais podem ultrapassar 10 milhões de toneladas.
“Quando você bombardeia uma usina de processamento de petróleo ou um posto de gás, não está apenas dificultando a infraestrutura do inimigo, mas também agravando a emissão de gases de efeito estufa”, avalia Wagner Ribeiro, professor de geografia da Universidade de São Paulo (USP).
Levantamento do Instituto Talanoa lembra que, se o setor militar mundial fosse um país, seria o quinto maior emissor do planeta, com 2,7 gigatoneladas de CO₂ equivalente — 5,5% das emissões globais. Apesar da relevância, apenas seis países reportaram, em 2025, dados desagregados sobre emissões militares: Alemanha, Bulgária, Chipre, Eslováquia, Hungria e Noruega.
Fonte: Agência Brasil
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