Decisão unânime da CVM apura uso de ativos sobreavaliados na terceira emissão de cotas do Brazil Realty. Vorcaro recebeu multa de R$20 milhões; o Banco Master foi penalizado em R$12,5 milhões, somando R$201 milhões em sanções.
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) concluiu, nesta terça-feira (8), o julgamento administrativo que investigava supostas irregularidades na terceira emissão de cotas do fundo imobiliário Brazil Realty. Por decisão unânime, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro recebeu multa de R$ 20 milhões, enquanto o Banco Master foi penalizado em R$ 12,5 milhões. No total, sete pessoas físicas e nove empresas foram condenadas, elevando as sanções financeiras a R$ 201 milhões.
O processo, instaurado em 2020 pelo corpo técnico da autarquia, apurou a utilização de ativos sobreavaliados na integralização de cotas e manobras no mercado secundário destinadas, segundo o relatório, a criar liquidez artificial para os papéis do fundo. A terceira emissão, iniciada em 2018, movimentou R$ 139,1 milhões, grande parte em imóveis cuja precificação foi considerada acima dos parâmetros aceitáveis pela CVM.
De acordo com os autos, laudos de avaliação apresentavam inconsistências e documentos de suporte às integralizações continham falhas. Após a distribuição das cotas, empresas ligadas aos envolvidos teriam realizado 177 operações de compra e venda que somaram cerca de R$ 351 milhões em aquisições e R$ 358 milhões em alienações. Para a área técnica da autarquia, tais transações sustentaram valores “inflados”, levando investidores a negociar por preços que não refletiam a realidade dos ativos.
A investigação apontou prejuízo efetivo de R$ 5,8 milhões para fundos que mantinham servidores públicos entre os cotistas. Entre os demais punidos estão Henrique Moura Vorcaro e Felipe Cançado Vorcaro, respectivamente pai e primo do ex-banqueiro, além da Viking Participações, da Entre Investimentos e de outros gestores e sociedades. As multas individuais variam de R$ 5 milhões a R$ 24 milhões. Três ex-diretores da Sefer Investimentos foram absolvidos.
Durante a sessão, representantes de defesa solicitaram adiamento do julgamento e alegaram ausência de provas individualizadas que configurassem conduta fraudulenta. O colegiado rejeitou o pedido, sustentando que o conjunto documental era suficiente para comprovar a sobreavaliação dos bens e a criação de liquidez artificial.
O Banco Master, atualmente em liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central, participou da oferta ao aportar aproximadamente R$ 16,8 milhões. Segundo cálculos da CVM, o banco obteve resultado positivo de R$ 10,8 milhões nas negociações subsequentes. Já a Viking Participações teria lucrado cerca de R$ 837 mil, enquanto operações creditadas diretamente a Daniel Vorcaro registraram perda de R$ 6,8 milhões.
Os condenados podem recorrer ao Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional (CRSFN). Em paralelo, seguem inquéritos criminais conduzidos pela Polícia Federal que miram o Banco Master e Daniel Vorcaro. O ex-banqueiro foi preso em novembro de 2025, na Operação Compliance Zero, e voltou a ser detido em março de 2026 por fatos correlatos. O desfecho no âmbito administrativo não interfere nos processos penais, que ainda estão em curso.
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