Parlamentares do PT, PSOL e PCdoB anunciaram nesta quarta-feira (13) que vão protocolar uma denúncia na Polícia Federal, apresentar um requerimento à Receita Federal e solicitar a instalação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para apurar a relação entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
O pedido dos deputados baseia-se em reportagem do site The Intercept Brasil, publicada em 13 de maio de 2026, que afirma ter obtido áudios, mensagens de WhatsApp, documentos e comprovantes bancários. Segundo a reportagem, Flávio Bolsonaro teria negociado diretamente com Vorcaro um aporte de cerca de R$ 134 milhões para financiar um filme sobre a família Bolsonaro.
De acordo com o material divulgado, parte dos recursos teria sido transferida entre fevereiro e maio de 2025. As transações envolveriam remessas internacionais de uma empresa controlada por Vorcaro para um fundo nos Estados Unidos gerido por Paulo Calixto, advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
Questionamentos dos parlamentares
O líder do PT na Câmara, deputado Pedro Uczai (SC), afirmou que é necessário esclarecer se as transferências foram declaradas e tributadas corretamente.
“Esse recurso encaminhado lá nos EUA para o fundo que tem relação com o advogado de Eduardo Bolsonaro, passou pela Receita, teve cobrança tributária, foi declarado, é ilegal?”, questionou Uczai.
Os parlamentares informaram que vão formalizar o requerimento à Receita Federal e protocolar a denúncia na Polícia Federal para que sejam investigadas eventuais práticas criminosas relacionadas à movimentação de recursos e à relação entre o senador e o banqueiro.
Em mensagens citadas pela reportagem, Flávio Bolsonaro se dirige a Vorcaro com termos de proximidade, chamando-o de “irmão” e afirmando “Estou e estarei contigo sempre”. Segundo os deputados, as conversas ocorreram dias antes da primeira prisão de Vorcaro e da liquidação do Banco Master pelo Banco Central.
O líder da bancada PSOL/Rede na Câmara, deputado Tarcísio Motta (RJ), afirmou que há indícios de diversos crimes e pediu investigação sobre possíveis práticas como lavagem de dinheiro, corrupção passiva, tráfico de influência e financiamento ilegal envolvendo a relação entre o senador e o banqueiro.
A deputada Jandira Feghali (PCdoB) ressaltou que o valor apontado, de R$ 134 milhões, é superior ao orçamento de filmes biográficos recentes e defendeu apuração da destinação efetiva dos recursos.
Posicionamento de Flávio Bolsonaro
Em nota, Flávio Bolsonaro admitiu ter solicitado recursos para o filme e confirmou o contato com Daniel Vorcaro, mas classificou a relação como privada e negou irregularidades.
“É preciso separar os inocentes dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet”, afirmou o senador.
Flávio afirmou que conheceu Vorcaro em dezembro de 2024, quando, segundo ele, não havia acusações públicas contra o banqueiro, e que retomou contato por causa de atrasos no pagamento de parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme. O senador negou ter oferecido ou recebido vantagens indevidas, ter intermediado negócios com o governo ou promovido encontros fora da agenda oficial.
Siga o AjuNews e entre no nosso grupo de notícias de Aracaju.









