O mercado financeiro brasileiro encerrou a quarta-feira, 8 de julho, em clima de cautela. A moeda norte-americana recuou 0,09%, fechando a R$ 5,148, enquanto o Ibovespa perdeu 0,79% e terminou aos 170.653 pontos. No lado oposto, as cotações do petróleo dispararam: o Brent avançou 5,20%, a US$ 78,02, e o WTI subiu 4,37%, a US$ 73,52 o barril.
A combinação de tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Irã, expectativas de juros elevados por mais tempo nas economias desenvolvidas e perspectiva de oferta restrita de petróleo moldou os negócios ao longo do dia. Logo na abertura, o dólar chegou ao pico de R$ 5,184, mas perdeu força à medida que a valorização do petróleo favoreceu moedas de países exportadores de commodities, caso do Brasil.
Analistas lembraram que a alta da commodity melhora a balança comercial brasileira e, por consequência, reduz parte da pressão sobre o câmbio. Ainda assim, o ambiente externo seguiu desafiador. A ata da última reunião do Federal Reserve reforçou que o combate à inflação continua sendo prioridade e que cortes de juros não estão no horizonte imediato. A leitura sustentou os rendimentos dos Treasuries e manteve investidores globais na defensiva.
No mercado acionário, as ações ligadas a petróleo e gás tiveram desempenho melhor do que a média, mas não evitaram o tombo do principal índice da B3. Papéis sensíveis a juros, como varejistas e construtoras, estiveram entre as maiores baixas, refletindo a percepção de aperto monetário prolongado no exterior.
“O acordo provisório com o Irã para encerrar a guerra acabou”, afirmou o ex-presidente norte-americano Donald Trump, acrescentando combustível às incertezas sobre o Oriente Médio.
Operadores destacaram que o Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de um quinto da produção mundial de petróleo, voltou ao centro das atenções após relatos de novos ataques na região. O receio de interrupções no fornecimento elevou o chamado prêmio de risco da commodity e trouxe consigo reflexos imediatos para moedas e bolsas emergentes.
Na B3, Petrobras encontrou suporte na escalada do petróleo, mas o movimento não foi suficiente para alterar o sinal negativo do pregão. Setores dependentes de insumos importados, como companhias aéreas, sofreram com a perspectiva de custos maiores de combustível e de um dólar ainda firme.
Para os próximos dias, profissionais de mercado monitoram a evolução do conflito entre Washington e Teerã, indicadores de inflação nos Estados Unidos e possíveis falas de dirigentes do Federal Reserve. Enquanto isso, a expectativa é de volatilidade elevada e sensibilidade a qualquer novidade capaz de mexer com o apetite por risco dos investidores.
Veja os principais números do dia:
Dólar: R$ 5,148 (-0,09%)
Ibovespa: 170.653 pontos (-0,79%)
Petróleo Brent: US$ 78,02 +5,20%
Petróleo WTI: US$ 73,52 +4,37%
Especialistas ressaltam que, apesar da trégua na cotação da moeda norte-americana, a tendência depende da continuidade da valorização do petróleo e do fluxo de capital estrangeiro. Já o desempenho da bolsa deve seguir atrelado à percepção de risco global, especialmente enquanto não houver clareza sobre o rumo dos juros norte-americanos e sobre a extensão das tensões geopolíticas.
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