O dólar fechou a R$5,446, com alta de 1,09% no dia e máxima intradiária de R$5,463. A moeda subiu 9,15% na semana — maior salto desde 2008 — e acumulou 5,27% no mês; a bolsa Ibovespa recuou.
O mercado financeiro brasileiro encerrou o mês de outubro sob forte pressão cambial e queda expressiva da bolsa de valores. Nesta sexta-feira (30), o dólar comercial avançou 1,09% e encerrou cotado a R$ 5,446, no maior patamar de fechamento de 2026. Ao longo do dia, a moeda norte-americana chegou a tocar R$ 5,463, antes de reduzir parte dos ganhos na reta final das negociações.
Com o resultado de hoje, a divisa acumulou valorização de 9,15% na semana, desempenho que não era observado desde outubro de 2008, ápice da crise financeira internacional. No mês, a alta foi de 5,27%, suficiente para colocar o câmbio em terreno positivo também no acumulado anual — agora com avanço de 0,81% em 2026.
Enquanto o dólar disparou, o Ibovespa seguiu em trajetória de baixa. O principal índice da B3 recuou 0,75% nesta sessão, fechando aos 167.921,80 pontos. Foi o quinto pregão consecutivo de perdas e consolidou desvalorização de 18,12% na semana, a mais acentuada desde março de 2020, quando os temores iniciais da pandemia de covid-19 derrubaram os mercados globais.
Analistas atribuem a turbulência doméstica a dois fatores centrais: a reprecificação dos ativos após a reeleição presidencial e a expectativa pela definição da equipe econômica que assumirá o comando da política fiscal em 2027. A falta de sinais claros sobre medidas de contenção de gastos públicos manteve os investidores defensivos, em especial na véspera do feriado prolongado de Finados, que deixará os mercados fechados na próxima segunda-feira (2).
Números do dia
- Dólar à vista: R$ 5,446 (+1,09%)
- Máxima intradiária do dólar: R$ 5,463, por volta das 16h
- Ibovespa: 167.921,80 pontos (-0,75%)
- Dólar na semana: +9,15%
- Ibovespa na semana: ‑18,12%
- Dólar em outubro: +5,27%
- Ibovespa em outubro: ‑9,88%
No câmbio, parte da volatilidade registrada pela manhã esteve ligada à formação da Ptax de fim de mês, taxa de referência calculada pelo Banco Central para liquidação de contratos futuros. Operadores relataram aumento na busca por cobertura cambial diante da combinação de incerteza política e feriado prolongado.
Além dos fatores internos, o ambiente externo contribuiu para o humor negativo dos investidores. Lá fora, ações de gigantes do setor de tecnologia voltaram a cair depois de resultados corporativos decepcionantes e de revisões pessimistas para projetos de inteligência artificial. O índice S&P 500, em Nova York, cedeu 1,82% no fechamento, repercutindo temores de menor crescimento global e de manutenção de juros elevados por mais tempo em economias desenvolvidas.
Especialistas apontaram ainda que o fluxo estrangeiro para a bolsa brasileira foi negativo ao longo da semana. Dados parciais da própria B3 indicaram retirada líquida de aproximadamente R$ 7,6 bilhões dos investidores internacionais nos três primeiros pregões, movimento que corroeu a liquidez do mercado secundário e ampliou a pressão sobre os preços das ações.
Nas próximas sessões, agentes financeiros devem acompanhar de perto qualquer sinalização sobre a composição da equipe econômica e sobre possíveis mudanças no arcabouço fiscal. A divulgação dos dados de produção industrial de setembro, marcada para quarta-feira (3), também está no radar, pois poderá oferecer pistas adicionais sobre o ritmo de crescimento da economia brasileira no último trimestre do ano.
Em meio ao dólar mais caro, economistas alertam que pressões sobre preços de combustíveis e produtos importados podem levar a revisões nas projeções de inflação para 2027, o que tende a influenciar as apostas para a trajetória da taxa básica de juros nos próximos meses. Por ora, a incerteza segue como palavra-chave que dita a cautela dos investidores.
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