Mercado brasileiro fechou o mês com alívio, impulsionado por ações de bancos e setor de consumo. Dados de inflação dos EUA vieram abaixo do esperado, reduzindo a pressão por novas altas de juros.
O mercado financeiro brasileiro se despediu de setembro em clima de alívio. O dólar à vista caiu quase 1% no pregão desta quarta-feira, 30/09, fechando a R$ 5,174 e acumulando leve baixa de 0,15% no mês. Ao mesmo tempo, o Ibovespa ganhou fôlego, subiu 1,37% no dia e acumulou alta superior a 5% nos últimos 30 dias, impulsionado sobretudo por ações de bancos e de setores ligados ao consumo doméstico.
Os números refletiram um cenário externo menos pressionado. Dados de inflação dos Estados Unidos vieram abaixo das projeções e reduziram a probabilidade de novas elevações dos juros pelo Federal Reserve, o que favoreceu moedas emergentes e ativos de risco. Internamente, investidores continuaram atentos ao quadro eleitoral brasileiro e à habitual formação de posição de câmbio típica de fim de mês.
Números do dia
- Dólar à vista: R$ 5,174 (-0,76%)
- Dólar em setembro: ‑0,15%
- Ibovespa: 186.340,46 pontos (+1,37%)
- Ibovespa em setembro: +5,03%
- Petróleo Brent: US$ 98,03 (+1,94%)
- Petróleo WTI: US$ 90,42 (+1,16%)
Ao longo da sessão, a moeda norte-americana chegou à mínima de R$ 5,164 por volta das 9h50. Embora tenha recuado neste mês, o dólar ainda acumula valorização de 0,23% no terceiro trimestre e perda de 5,75% em 2026.
No front externo, as atenções se voltaram para o índice de preços de gastos com consumo (PCE) dos Estados Unidos. O núcleo do indicador, que exclui alimentos e energia, subiu 0,2% em agosto, contra expectativa de 0,3%. O PCE cheio avançou 0,3%, também abaixo do previsto. Esses dados esfriaram apostas de aperto monetário adicional e derrubaram os rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano, contribuindo para a queda do dólar.
A valorização do Ibovespa foi reforçada pela entrada de recursos estrangeiros. Até 28/09, o saldo líquido de investidores externos na B3 estava positivo em R$ 9,569 bilhões, elevando o aporte acumulado no ano para quase R$ 29 bilhões. No trimestre, o principal índice da bolsa paulista subiu 8,32% e, em 2026, já soma ganho de 15,65%.
O petróleo também avançou. Os contratos futuros do Brent ganharam 1,94%, fechando a US$ 98,03 o barril, enquanto o WTI subiu 1,16%, para US$ 90,42. As cotações foram apoiadas pela preocupação com a segurança na rota do Estreito de Ormuz, depois da notícia de que um navio-tanque foi atingido por projétil de origem ainda desconhecida.
Ainda no radar do mercado físico de petróleo estiveram possíveis restrições temporárias dos Estados Unidos às exportações de diesel e a decisão da Rússia de prorrogar, até o fim de outubro, a proibição de exportar o combustível. Apesar das tensões geopolíticas, relatos indicaram recuperação das exportações de petróleo do Oriente Médio, graças a rotas alternativas.
Nos Estados Unidos, estoques de petróleo tiveram alta inesperada na semana, enquanto os de gasolina registraram queda acentuada, de acordo com o Departamento de Energia. Esses dados ajudaram a limitar movimentos mais fortes nas cotações.
No câmbio doméstico, o real registrou um dos melhores desempenhos entre as moedas latino-americanas, beneficiando-se de maior procura por ativos locais. Segundo operadores, a proximidade do primeiro turno das eleições manteve parte dos investidores cautelosos, mas as últimas pesquisas não alteraram significativamente o fluxo de ordens.
No balanço geral, a combinação de inflação controlada nos EUA, entrada de capital estrangeiro em renda variável brasileira e ganhos no preço do petróleo formou um quadro favorável aos ativos locais, encerrando setembro com tom positivo para câmbio e bolsa.
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