O dólar comercial avançou mais de 1% e fechou a R$ 5,169, após tocar R$ 5,177. A Bolsa recuou abaixo de 186 mil pontos com fuga de capitais e juros nos EUA; o petróleo subiu quase 3% por tensões e oferta apertada.
O mercado financeiro brasileiro sentiu o peso de fatores externos e internos nesta quarta-feira, 23 de setembro. O dólar comercial disparou mais de 1% e encerrou o dia vendido a R$ 5,169, depois de ter tocado R$ 5,177 na máxima da sessão. Já a bolsa paulista devolveu parte dos ganhos recentes e ficou novamente abaixo dos 186 mil pontos, pressionada pela fuga de capital de países emergentes e pela alta dos juros nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, o petróleo avançou quase 3%, aproximando-se da simbólica marca de US$ 100 o barril, em meio a tensões geopolíticas e sinais de oferta restrita.
Principais números
- Dólar comercial: R$ 5,169 (+1,27%)
- Ibovespa: 185.814 pontos (-0,86%)
- Petróleo Brent: US$ 98,12 (+2,84%)
- Petróleo WTI: US$ 92,16 (+1,81%)
No exterior, o Índice DXY — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes — avançou 0,54% e voltou a se aproximar dos maiores níveis desde julho, reforçando o movimento de valorização global do dólar. Um conjunto de dados mais fortes da economia dos Estados Unidos, como o índice de gerentes de compras (PMI) que subiu para 58,4 em setembro, renovou a leitura de que o Federal Reserve pode manter juros elevados por período prolongado. Esse cenário elevou os rendimentos dos Treasuries: os papéis de dez anos superaram a barreira de 5% ao ano pela primeira vez desde 2007.
Taxas mais altas nos EUA tendem a aumentar a atratividade dos ativos denominados em dólar e a estimular a realocação de recursos que estavam em mercados emergentes. Esse deslocamento de fluxos foi sentido na B3. O Ibovespa oscilou entre 188.772 pontos na máxima e 185.676 pontos na mínima, fechando em baixa de 0,86%, com volume financeiro de R$ 29,68 bilhões. Ainda assim, o índice acumula alta de 4,73% em setembro.
Em Wall Street, os três principais índices também ficaram no vermelho: o Dow Jones cedeu 0,68%, o S&P 500 recuou 0,75% e o Nasdaq, mais sensível a juros, perdeu 1,13%. A perspectiva de custos de capital mais altos penalizou especialmente as gigantes de tecnologia. Além disso, tensões no Oriente Médio voltaram a preocupar, ao mesmo tempo que negociações entre Estados Unidos e Irã não avançaram.
O preço do barril de petróleo refletiu essa combinação de temores geopolíticos e expectativas de oferta ajustada. O Brent subiu 2,84%, a US$ 98,12, enquanto o WTI ganhou 1,81%, a US$ 92,16. Relatos de possível restrição às exportações de diesel pelos EUA — negados pela Casa Branca — reforçaram o impulso de compra. Paralelamente, o Departamento de Energia norte-americano revelou aumento inesperado de 2,969 milhões de barris nos estoques semanais, contrariando projeções de queda.
No câmbio, mesmo com a disparada de hoje, o real ainda mostra desempenho positivo no acumulado do ano, com ganho de 5,83% frente ao dólar. Analistas destacaram que a incerteza eleitoral doméstica segue adicionando volatilidade, embora o pano de fundo principal seja a reprecificação global de ativos diante da expectativa de juros prolongadamente altos em economias avançadas.
Para os próximos dias, agentes financeiros prometem atenção redobrada a novos indicadores de atividade dos EUA, às atualizações sobre o conflito no Oriente Médio e aos desdobramentos do cenário político interno. Em meio a esse mosaico de riscos, a cautela segue dando o tom das negociações.
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