Lucas Ribeiro (PP) venceu no primeiro turno com 64,3% dos votos e assume o governo da Paraíba aos 37 anos. A disputa mostrou o contraste etário: Jorginho Mello, 70, foi reeleito em Santa Catarina.
Os resultados do primeiro turno das eleições estaduais revelaram um quadro de contrastes etários entre os novos ocupantes de cargos majoritários. Na Paraíba, Lucas Ribeiro (PP) foi escolhido governador com 64,3% dos votos válidos e, aos 37 anos, tornou-se o mais jovem chefe de Executivo estadual do país nesta eleição. No extremo oposto da faixa etária está Jorginho Mello (PL), reeleito em Santa Catarina aos 70 anos com 68,98% dos votos.
A votação de domingo, 4 de outubro, consolidou a trajetória meteórica de Ribeiro. Vereador e, depois, vice-prefeito de Campina Grande, ele assumiu o governo paraibano em 2026 após a renúncia de João Azevedo, de quem era vice. O desempenho expressivo nas urnas confirmou o favoritismo apontado nas pesquisas e chancela o político mais jovem do pleito a comandar um estado brasileiro nesta legislatura.
No Senado, a renovação etária também foi perceptível. Filipe Barros (PL-PR) obteve 27,25% dos votos válidos e, aos 35 anos, tornou-se o senador mais jovem eleito neste ciclo eleitoral. Barros, que deixa a Câmara dos Deputados, iniciou a carreira como vereador em Londrina e chega agora à Casa Alta com discurso de fortalecimento de pautas econômicas liberais.
Se a juventude marcou presença, a experiência também pesou. Aos 78 anos, Julio César, conhecido como Julim do Lula (PSD-PI), conquistou vaga no Senado, tornando-se o parlamentar mais velho eleito. A trajetória do piauiense inclui dois mandatos como prefeito de Guadalupe (1977-1986 e 1989-1991), passagens pela Secretaria de Agricultura do estado e cargos de direção na Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e na companhia de saneamento de Teresina.
A reeleição de Jorginho Mello em Santa Catarina reforça outro fenômeno observado nas urnas: candidatos que já ocupavam o poder tiveram desempenho robusto. Mello, que já representou o estado como deputado federal e senador, capitalizou tanto a visibilidade do cargo quanto alianças regionais para garantir novo mandato.
Ao todo, PL, PSD, PT e Republicanos somaram 15 governadores eleitos no primeiro turno. O resultado desenha um mosaico partidário que tende a influenciar as discussões sobre a composição de coalizões no Congresso Nacional. Os números finais indicam que, embora a disputa pelo Palácio do Planalto siga indefinida, a base de governadores distribuída entre diferentes siglas coloca desafios adicionais para quem pretende aprovar reformas com celeridade a partir de 2027.
Com o fechamento das urnas, atenção agora se volta ao segundo turno. A campanha para a rodada decisiva começa nesta segunda-feira e deve intensificar a movimentação de lideranças partidárias em busca de alianças estratégicas. Governadores eleitos no primeiro turno já sinalizam participação ativa nos palanques de seus candidatos a presidente, de olho em futuras parcerias administrativas e na liberação de verbas para obras estaduais.
Enquanto isso, os eleitores se deparam com um cenário que combina renovação geracional e continuidade. A chegada de nomes jovens ao topo do Executivo e ao Senado promete aquecer o debate sobre inovação na gestão pública, ao passo que a permanência de políticos experientes no tabuleiro oferece, segundo analistas, estabilidade institucional e conhecimento de máquina. O confronto de ideias entre essas duas vertentes tende a pautar a agenda legislativa e a relação entre estados e União nos próximos quatro anos.
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