Ndeye Fatou Ndiaye, 15 anos, foi vítima de racismo por alunos do Colégio Franco-Brasileiro, em Laranjeiras, Zona Sul do Rio de Janeiro. Eles escreveram em um grupo no WhatsApp: “Dou dois índios por um africano”, “quanto mais preto, mais preju”, “fede a chorume”, para se referir à adolescente. As informações foram publicadas pelo jornal O Globo, nesta quarta-feira (20).
Em entrevista, Ndeye contou que descobriu as mensagens através de um amigo que participava do grupo. Antes de sair do grupo, ele tirou fotos e encaminhou a adolescente. Ela relatou que o racismo é frequente no seu dia a dia.
“Qualquer pessoa negra num ambiente cheio de brancos enfrenta o racismo diariamente. Na época do surto do ebola, um aluno gritou para mim no meio da sala de aula: “volta para a África com a sua doença”. Nada aconteceu com ele. A gente olha as mensagens enviadas e pensa que é algo que se dizia 300, 400 anos atrás. Não devíamos estar vendo isso em 2020”, ressaltou Ndeye.
De acordo com a publicação, o pai da adolescente, Mamour Sop Ndiaye, de 45 anos, se reuniu com o colégio, nesta quarta-feira (20), e foi informado que um ofício foi encaminhado para o Conselho Tutelar e que, no momento, a instituição de ensino não tomará outras medidas. O Colégio Franco-Brasileiro confirmou que as conversas, divulgadas na internet, aconteceu entre alunos da 1ª série do Ensino Médio.
“Enquanto o colégio não apresentar resultados que me garantam a segurança das minhas filhas e de todas as mulheres negras que frequentam aquele ambiente, elas não voltam às aulas. Desde que minha filha estava na quarta série, já fui chamado muitas vezes à escola e nunca é um problema de desempenho, mas sempre questões raciais. Se você está num local onde as pessoas não podem aceitar a diversidade, é um perigo, a meu modo de ver”, afirmou o professor universitário, que veio do Senegal para o Brasil há 22 anos.
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