Nascido no dia 3 de julho de 1941, no bairro Santo Antônio, em Aracaju, o ex-governador de Sergipe e ex-ministro do Interior, João Alves Filho (DEM), completaria 80 anos neste sábado (3). O homem visionário, engenheiro civil, que iniciou sua tragédia política aos 20 anos de idade, conseguiu deixar a sua marca na história política sergipana, se tornando um dos principais políticos do estado. João “Chapéu de Couro”, como era conhecido, faleceu aos 79 anos, no dia 24 de novembro de 2020 e era casado com a senadora Maria do Carmo Nascimento Alves, com quem teve três filhos: Maria Cristina Alves, Ana Maria Alves e João Alves Neto.
João faleceu após sete dias internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Sírio-Libanês, em Brasília. Ele tinha Alzheimer, sofreu paradas cardíacas, teve a função renal comprometida e foi diagnosticado com covid-19. Na época, os médicos já haviam anunciado que seu quadro de saúde era “grave e irreversível”.
O democrata governou Sergipe por três mandatos, e foi prefeito da capital por duas vezes. O primeiro ano na gestão estadual foi de 1983 a 1987, o segundo de 1991 a 1994 e o último de 2003 a 2006. Em 2012, foi eleito prefeito de Aracaju, mas apenas exerceu a função até 2013. João também foi ministro do Interior do Brasil de 1987 a 1990, quando o cargo criado em 1967 foi extinto para ser substituído pela a Secretaria de Desenvolvimento Regional.
Homenagens
Sua morte foi lamentada por toda a classe política sergipana, inclusive pelo atual governador do Estado, Belivaldo Chagas (PSD), que emitiu nota de pesar e decretou três dias oficiais de luto no estado. “O ex-governador João Alves, sem dúvida alguma é uma das mais importantes referências políticas que temos no nosso estado. João Alves foi especial para Sergipe e realizou obras importantes para o povo sergipano. Estivemos em campos opostos ideológica e politicamente, mas sempre nos tratamos de maneira respeitosa. Tivemos uma relação institucional muito saudável. Seu legado será lembrado com apreço e respeito”, afirmou Belivaldo.
O prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira (PDT), também chegou a decretar três dias de luto na capital sergipana, colocou a estrutura da prefeitura à disposição para as homenagens e suspendeu as atividades eleitorais (na época, acontecia as eleições municipais, há qual Edvaldo tentava sua reeleição. “João foi um dos principais políticos de Sergipe. Foi governador três vezes, prefeito e ministro. Na política, sempre estivemos em lados diferentes, mas jamais deixei de ter respeito por ele e pelo imenso legado que edificou em nosso estado”, ressaltou o gestor.
O presidente do DEM, José Carlos Machado, ex-vice prefeito de Aracaju na gestão João Alves Filho, relembrou a trajetória política de ambos e afirmou que João foi “o governador que mais fez por Sergipe nos últimos anos”. Neste sábado (3), Machado publicou em suas redes sociais uma homenagem pelos 80 anos de João Alves. “Um dos grandes políticos da história de Sergipe estaria completando 80 anos de idade neste sábado. É a data que marca o aniversário de João Alves Filhos. […] Que a sua passagem por esse plano continue sendo exemplo e inspiração para as nossas lutas em defesa da Democracia e na construção de uma sociedade mais justa para todos e todas. Agradeço a Deus por ter me dado a oportunidade de ter convivido com você. Deus lhe conheça um bom descanso, amigo João Alves”, escreveu Machado.
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A sua esposa e ex-senadora Maria do Carmo Alves (DEM), também fez a sua homenagem neste sábado (3). “Este dia sempre será seu, João. Se estivesse conosco, estaria completando 80 anos. Desde cedo lembrando e agradecendo a Deus por você”, publicou a senadora.
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A vice-governadora, Eliane Aquino (PT), viúva do ex-governador Marcelo Déda (PT), afirmou na época do falecimento de João que a trajetória política dele foi marcada por obras visionárias, e relembrou da gentileza de João quando o marido dela faleceu, vítima de câncer.
O presidente do PSC, André Moura, destacou que tem orgulho “por ter iniciado minha vida pública ao seu lado quando fui eleito prefeito em Pirambu no antigo PFL, atual Democratas, muito aprendi, sendo seu Secretário de Estado de Serviços Públicos Metropolitanos”.
Trajetória
Filho do grande empresário e construtor João Alves e Maria de Lourdes Gomes, João Alves Filho era estudioso e conhecedor da problemática nordestina. Dedicou boa parte dos seus estudos a problemática do acesso a água, ficou envolvido também com a questão da transposição do Rio São Francisco.
Quando estudava na Universidade Federal da Bahia (UFBA) e foi membro da Juventude Universitária Católica (JUC). Naquela época, foi membro da Juventude Universitária Católica (JUC) e redator do jornal da frente única das esquerdas e só deixou de exercer essa função a partir do golpe militar de 1964. Em 1965, começou a vida de engenheiro ao lado do pai na Construtora Alves.
João Alves é autor de diversos livros, o mais recente se chama “Toda a verdade sobre a transposição rio São Francisco” lançado dia 28 de outubro de 2008 na Livraria Escariz. Com a experiência adquirida na vida pública João Alves Filho agrupou todos os seus estudos e ideias e tornou-se um sóbrio autor, escrevendo detalhadamente a cerca de questões sócio ambientais e as suas causas e consequências. ‘Negão’ ou ‘João da Água’, outras formas como era conhecido, possui em seu currículo inúmeros títulos que dissertam sobre temas, como as secas, as águas e a transposição das águas do Rio São Francisco.
Com um amor declarado pela Região Nordeste, João Alves Filho dedicou sua vida e obras a encontrar soluções ou medidas que atendam às necessidades dos afligidos da maneira mais íntegra e satisfatória que se possa fazê-lo. Seus livros são: Nordeste, Região credora (1985); No outro lado do mundo (1988); Amazonas & Nordeste – Estratégias de desenvolvimento (1989); Conferências (1990); Pontos de Vista (1994); Nordeste – Estratégias para o sucesso (1997); Transposição das Águas do São Francisco – Agressão à Natureza x Solução Ecológica (2000); Matriz energética brasileira – Da crise à grande esperança (2003); Toda a Verdade sobre a transposição do Rio São Francisco (2008); Transposição do São Francisco – Uma Análise dos aspectos positivos e negativos do projeto que pretende transformar a Região Nordeste.
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