O deputado federal sergipano Fábio Mitidieri (PSD) afirmou que o voto em Arthur Lira (Progressistas-AL) para presidente da Câmara dos Deputados não possui relação com o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido). Lira, candidato apoiado por Bolsonaro, foi eleito para chefiar a Casa pelos próximos dois anos na noite desta segunda-feira (1º).
Mitidieri disse que recebeu questionamentos sobre um possível alinhamento a Bolsonaro com o voto em Lira. Porém, o deputado rechaçou tal fato. “A eleição é da Câmara, uma coisa não tem nada a ver com a outra. Não sou da base do presidente, não votei nele, mas votei em Arthur porque acho melhor para o parlamento. Em momento algum isso me vincula ao Bolsonaro”, disse em entrevista à rádio Liberdade FM nesta terça-feira (2).
Ele ainda destacou que foi “a mesma coisa do PT, que votou no candidato apoiado por Bolsonaro no Senado”. A eleição no Senado foi vencida por Rodrigo Pacheco (DEM-MG), candidato apoiado por Bolsonaro e pelo PT.
Fábio Mitidieri defendeu a postura de Arthur Lira na campanha da Câmara, e mostrou confiança na sua capacidade de diálogo com os parlamentares. Segundo o deputado sergipano, a expectativa é que a Casa mantenha sua independência em relação ao Executivo, apesar da relação próxima entre Lira e Bolsonaro.
“Arthur é um deputado ligado ao Congresso, que transita muito bem e tem boa relação conosco. Ele vai ter uma boa relação com o Executivo, mas a prioridade é fortalecer o Legislativo e manter a independência conquistada. Ele dizia que a gestão vai ser ‘mais nós e menos eu’, para conversar com os colegas e pautas a maioria. Não vamos ver decisões apenas por individualidades, como foi nos últimos anos”, acrescentou.
Por fim, Mitidieri lembrou do primeiro ato de Arthur Lira como presidente, que foi a anulação da votação para os demais cargos da Mesa Diretora, determinando a realização de uma nova eleição para a escolha de seus integrantes. O parlamentar disse crer que tal medida ainda dará muita polêmica.
“Tivemos a entrada da chapa de Baleia Rossi [candidato rival] alguns minutos depois do prazo, e alegaram que o sistema travou. Arthur ganhou e seu primeiro ato como candidato foi cancelar a eleição dos demais cargos, anulando o ato de [Rodrigo] Maia. Isso muda todo o processo na distribuição dos cargos e das posições da Mesa. Acredito que os prejudicados vão entrar com ação no STF, ainda haverá muita polêmica”, completou.
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