Diplomatas e autoridades alertam que um impasse na reunião ministerial de quatro dias da Organização Mundial do Comércio (OMC), marcada para a próxima semana em Yaoundé, capital de Camarões, poderá levar diversos membros a buscar caminhos alternativos para estabelecer regras de livre comércio.
O encontro ocorre em um momento considerado decisivo para o órgão que sucedeu o Acordo Geral de Tarifas sobre Comércio (GATT), criado após a Segunda Guerra Mundial para regular o comércio global. A frustração em torno da lenta reforma da OMC se soma aos efeitos do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que interrompe o fornecimento de energia e ameaça a economia mundial.
As tensões comerciais foram intensificadas pela imposição de tarifas adotadas pelo presidente americano, Donald Trump. Além disso, o mecanismo de solução de controvérsias da OMC está paralisado há seis anos, o que aprofunda a percepção de ineficácia da entidade.
Segundo documentos internos aos quais a Reuters teve acesso, a maior parte dos membros concorda com a necessidade de reforma, mas não há consenso sobre o roteiro para alcançá-la. Essa divisão cria espaço para que economias dependentes do comércio busquem outras alternativas.
“Nosso ‘Plano A’ é conseguir a reforma dentro do sistema da OMC, mas há muitos obstáculos”, afirmou o ministro do Comércio da Suécia, Benjamin Dousa, acrescentando que um eventual fracasso em Yaoundé encorajaria a União Europeia a “seguir um caminho paralelo”.
Duas consultas recentes envolvendo o Brasil ilustram o clima de incerteza: em agosto de 2025, os Estados Unidos aceitaram dialogar sobre tarifas, mas invocaram “segurança nacional”, e, em julho do mesmo ano, o Brasil defendeu que tarifas não sejam usadas como instrumento contra a soberania de países.
Se a reunião terminar sem acordo, analistas ouvidos pela reportagem temem um avanço de pactos bilaterais ou regionais que, na prática, enfraqueceriam ainda mais a autoridade multilateral da OMC.
Fonte: Agência Brasil
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