Em 2 de junho de 2026, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) saiu em defesa do Pix após a divulgação de um relatório do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) que associa o sistema de pagamentos instantâneos a possíveis barreiras à entrada de empresas norte-americanas no mercado brasileiro.
O documento do USTR integra uma investigação que também propõe tarifa adicional de 25% sobre exportações brasileiras a partir de 15 de julho. Ao longo das 90 páginas do texto, o Pix é mencionado como fator que “pode restringir a competição”. A federação rebateu a avaliação.
“O Pix é uma infraestrutura de pagamento, e não um produto comercial. Foi criado para ampliar a competição e elevar a eficiência do sistema financeiro, beneficiando consumidores e empresas de todos os portes”, afirmou a entidade em nota.
A Febraban destaca que o serviço opera às custas de uma plataforma aberta desenvolvida pelo Banco Central do Brasil. Segundo a federação, não há exigências diferenciadas para empresas estrangeiras: basta que a instituição opere no país e liquide transações em reais. “Trata-se de um arranjo inclusivo, que permite a participação de bancos, fintechs, cooperativas e instituições de pagamento”, reforça o comunicado.
Outro ponto contestado é a afirmação de que o modelo criaria custos extras. Para pessoas físicas, as transferências seguem gratuitas. Já para pessoas jurídicas, a cobrança é opcional e definida pelos próprios prestadores de serviço, sem distinção entre companhias brasileiras ou estrangeiras.
Na visão da entidade, o Pix reduziu custos operacionais, acelerou a digitalização dos meios de pagamento e ampliou a inclusão financeira. O sistema, lançado em novembro de 2020, funciona 24 horas por dia e permite liquidações em segundos, substituindo TEDs, DOCs e boletos em transações de menor valor.
A repercussão do relatório norte-americano mobilizou autoridades brasileiras. O ministro Paulo Gonet Branco Durigan, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o vice-presidente Geraldo Alckmin já haviam classificado o Pix como patrimônio nacional em declarações públicas recentes.
“Não há negociação que coloque o Pix em risco”, declarou Alckmin em pronunciamento no Palácio do Planalto, em 29 de maio.
A Febraban informou que avalia contribuir formalmente no período de consulta pública aberto pelo USTR. Também espera que manifestações do Banco Central e de instituições financeiras internacionais “esclareçam equívocos” antes da conclusão do processo.
Enquanto isso, as discussões sobre a tarifa proposta seguem em Washington. A federação observa que qualquer medida que eleve custos sobre produtos brasileiros “não dialoga com o espírito de cooperação que sempre norteou as relações econômicas entre os dois países”.
O Banco Central não comentou o tema até o fechamento desta edição.
Siga o AjuNews e entre no nosso grupo de notícias de Aracaju.









