Empresas atingidas por sobretaxas dos EUA e pelos efeitos da guerra no Oriente Médio têm novo crédito disponível desde hoje. O BNDES abriu o protocolo da 3ª fase do Plano Brasil Soberano: R$13,5 bi do Tesouro e R$9,1 bi do próprio banco.
Empresas expostas às sobretaxas comerciais impostas pelos Estados Unidos e aos reflexos econômicos da guerra no Oriente Médio já encontram, a partir de HOJE, uma nova frente de apoio no mercado de crédito nacional. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) abriu nesta quinta-feira (17/09) o protocolo para que empresários solicitem financiamento dentro da terceira etapa do Plano Brasil Soberano, pacote que soma R$ 22,6 bilhões.
O montante combina R$ 13,5 bilhões em recursos do Tesouro Nacional e R$ 9,1 bilhões do próprio BNDES. A iniciativa foi lançada originalmente em 2025 para amparar exportadores brasileiros que passaram a pagar alíquotas extras de 25% e 12,5% no mercado norte-americano. Em março de 2026, o programa se expandiu, contemplando negócios que sentiram o impacto do conflito no Oriente Médio. Agora, chega à terceira fase com escopo ainda mais amplo e regras ajustadas.
Grupos habilitados
- Grupo 1: exportadoras de bens – e seus fornecedores – diretamente afetadas pelo tarifaço aplicado pelos EUA.
- Grupo 2: companhias de setores considerados estratégicos para a economia de baixo carbono ou relevantes na balança comercial brasileira.
- Grupo 3: exportadoras de bens – e respectivos fornecedores – que negociam com países do Golfo Pérsico (Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Irã, Iraque, Kuwait e Omã).
Setores contemplados no Grupo 2
- Têxtil
- Químico
- Farmacêutico
- Automotivo
- Minerais críticos
- Máquinas e equipamentos
Para ter direito aos recursos, empresas afetadas pelas medidas norte-americanas ou pelo conflito regional precisam comprovar que ao menos 1% do faturamento anual decorre de operações com os países envolvidos. A verificação de elegibilidade ocorre on-line, na plataforma do programa.
Os financiamentos podem ser usados como capital de giro, aquisição de máquinas e equipamentos ou em projetos de investimento. As taxas de juros partem de 4,3% ao ano e podem chegar a 17,5% ao ano, variando conforme o porte da empresa e a finalidade do crédito. O prazo e a carência também se moldam às características de cada projeto, seguindo as diretrizes publicadas em portaria interministerial.
Especialistas do mercado avaliam que a nova rodada de crédito deve aliviar pressões de caixa num momento em que cadeias globais permanecem voláteis. Apesar da abertura do protocolo HOJE, o BNDES reforça que a análise dos pedidos leva em conta requisitos ambientais, de governança e de geração de emprego.
Empresários interessados encontram, no site do banco de fomento, o passo a passo para envio de documentos, simulação de prazos e condições específicas. A expectativa, de acordo com interlocutores do programa, é que boa parte dos contratos seja firmada ainda no último trimestre de 2026, permitindo que o capital ingresse no fluxo de caixa das companhias antes do fechamento do exercício fiscal.
O Plano Brasil Soberano segue aberto e, segundo técnicos que acompanham a execução, poderá receber novos aportes caso a demanda supere o volume inicialmente reservado.
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