O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, afirmou, na última sexta-feira (26/06), que os recursos extras obtidos com as exportações brasileiras de petróleo foram direcionados para proteger o consumidor dos aumentos de preços nos postos. Segundo ele, o cenário de tensão internacional, marcado pelo conflito entre Estados Unidos e Irã, elevou as cotações do barril, mas também reforçou a arrecadação federal.
Durante entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, transmitido pelo Canal Gov, Moretti explicou que a estratégia do governo consistiu em transformar o ganho cambial e o crescimento das receitas de exportação em políticas de amortecimento dos impactos da crise energética. Entre as ações financiadas estão subsídios temporários, redução de impostos sobre combustíveis e reforço a programas sociais.
“Usamos essa receita extraordinária para custear uma série de ações que mitigaram o impacto da guerra para a nossa população. Quando olhamos em perspectiva internacional, hoje o Brasil é um dos países menos afetados pelos efeitos desse cenário”, declarou o ministro.
Segundo Moretti, a decisão de direcionar os lucros para o consumidor evitou que a alta do petróleo pressionasse de forma permanente o custo da gasolina, do diesel e do gás de cozinha. Ele ressaltou que, em termos percentuais, o reajuste acumulado no Brasil ficou abaixo da média global.
Os dados apresentados pelo Ministério do Planejamento apontam que, logo após o início das hostilidades, houve uma elevação inicial nos preços ao consumidor. No entanto, o pico foi seguido por trajetória de queda, atribuído tanto às medidas de contenção quanto ao ajuste natural do mercado internacional.
“A verdade é que o Brasil é um exportador líquido de petróleo, e a receita, quando o petróleo sobe, também sobe. Não seria justo o Estado brasileiro ficar mais rico enquanto a população fica mais pobre”, reforçou.
Moretti classificou a estratégia como “um sucesso” e avaliou que a utilização dos ganhos extraordinários mostrou ser uma ferramenta eficiente para neutralizar choques externos sem comprometer o equilíbrio fiscal. De acordo com o ministro, o direcionamento de recursos extraordinários para políticas de estabilização de preços não apenas reduziu pressões inflacionárias, mas também preservou o poder de compra das famílias e a competitividade da indústria.
Ele destacou ainda que a experiência poderá servir de referência para futuras crises de oferta, sobretudo em commodities estratégicas. Embora tenha reafirmado o caráter excepcional da medida, Moretti defendeu que a legislação permita respostas rápidas sempre que flutuações bruscas no mercado internacional ameacem a estabilidade interna.
Até o momento, o governo não divulgou o valor total das receitas extraordinárias nem detalhou o montante destinado a cada programa. O ministro, contudo, garantiu que o acompanhamento diário do comportamento dos combustíveis continua.
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