Em plena sexta-feira, 03/07, o mercado financeiro brasileiro exibiu reação positiva: o Ibovespa voltou a fechar acima dos 174 mil pontos após um mês afastado desse patamar. O principal índice da B3 subiu 0,74% e encerrou o pregão aos 174.070,27 pontos, resultado que não era visto desde 02/06. No acumulado semanal, o avanço foi de 0,45%, enquanto, no ano, o ganho chega a 8,03%.
O movimento ocorreu em um dia de menor liquidez, consequência do feriado da Independência dos Estados Unidos, que manteve Wall Street fechada. Com menos investidores estrangeiros na mesa, o giro financeiro somou R$ 12,6 bilhões, bem abaixo da média diária.
Mesmo com o volume reduzido, a sessão foi marcada pelo alívio nos juros futuros, após o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgar queda de 0,2% na produção industrial em maio sobre abril. O dado reforçou a leitura de desaceleração da atividade econômica e elevou as apostas de que o Comitê de Política Monetária (Copom) poderá cortar a Selic em 0,25 ponto percentual na reunião de agosto.
Com a perspectiva de custos menores de financiamento, ações ligadas ao consumo e ao crédito lideraram os ganhos da bolsa, refletindo expectativas de melhora nos resultados corporativos.
No câmbio, o dólar comercial recuou 0,76% e fechou a R$ 5,168, praticamente anulando a alta acumulada na semana — agora de meros 0,03%. Ao longo de 2026, a divisa norte-americana já cede 5,83% frente ao real. O enfraquecimento global do dólar, somado ao maior apetite por ativos de países emergentes, sustentou o avanço da moeda brasileira.
Indicadores de emprego mais fracos divulgados nos Estados Unidos na véspera diminuíram as expectativas de uma política monetária mais restritiva pelo Federal Reserve, contribuindo para a valorização de moedas emergentes. O índice DXY, que compara o dólar a uma cesta de pares fortes, permaneceu praticamente estável durante o pregão.
No cenário doméstico, declarações do secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, também repercutiram entre os investidores. Ele admitiu a possibilidade de novas atuações do Tesouro Nacional no mercado de títulos públicos, o que ajudou a pressionar as taxas de juros para baixo e deu suporte adicional aos ativos de renda variável.
A redução das taxas futuras tende a beneficiar empresas mais expostas ao crédito, reforçando a percepção de que a bolsa pode ganhar tração caso o Banco Central confirme o início do ciclo de flexibilização monetária em agosto.
Apesar do otimismo, analistas alertaram que a liquidez reduzida pode ter ampliado a volatilidade dos preços. A atenção do mercado segue voltada para os próximos indicadores de inflação, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, que devem orientar os ajustes de política monetária nas duas maiores economias do continente.
Com o feriado norte-americano limitado a esta sexta-feira, a próxima semana tende a retomar o ritmo normal dos negócios, oferecendo um termômetro mais preciso sobre a força do rali recém-observado no mercado brasileiro.
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