O IPCA chegou a 4,72% nos últimos 12 meses, ultrapassando o limite permitido pelo CMN. Alimentos foram os principais vilões da alta registrada em maio pelo IBGE.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,58% em maio, resultado divulgado HOJE pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O ritmo foi menor que o de abril (0,67%) e março (0,88%), mas suficiente para elevar o acumulado em 12 meses para 4,72%, acima do limite de 4,5% estipulado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
Com esse desempenho, o IPCA passou a ficar fora do intervalo de tolerância pela primeira vez desde outubro de 2025 (4,68%). Como, desde 2025, a regra de acompanhamento considera períodos móveis de 12 meses, o descumprimento pode obrigar o Banco Central a explicar formalmente as razões se o estouro persistir por seis leituras consecutivas.
O principal vilão em maio foi o grupo alimentação e bebidas, que subiu 1,33% e respondeu por metade da inflação do mês (0,29 ponto percentual). Entre os itens de maior peso destacaram-se batata-inglesa (+44,69%, impacto de 0,09 p.p.), tomate (+20,62%, 0,06 p.p.), carnes (+1,39%, 0,04 p.p.) e cebola (+16,80%, 0,02 p.p.). Foi o terceiro mês seguido com alimentos avançando mais de 1%.
“A alta reflete menor oferta de alguns produtos e custo maior do frete rodoviário”, avaliou o gerente da pesquisa, Fernando Gonçalves. Ele também citou o encarecimento de fertilizantes, repercussão do conflito no Oriente Médio, como fator adicional de pressão.
Sem o grupo alimentação, o IPCA de maio teria ficado em 0,37%. No acumulado dos cinco primeiros meses de 2026, alimentos e bebidas já sobem 4,81%.
A habitação foi o segundo maior impacto, com avanço de 1,22% (0,18 p.p.). A energia elétrica residencial saltou 3,67% após a adoção da bandeira tarifária amarela, que acrescenta R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos. Reajustes contratuais em Aracaju, Fortaleza, Salvador, Campo Grande, Recife e Belo Horizonte ampliaram o efeito.
Por outro lado, transportes registraram deflação de 0,46% graças à queda de 1,95% nos combustíveis. Etanol caiu 6,20%, diesel 2,34% e gasolina 1,46%, item que mais conteve a inflação do mês (-0,08 p.p.). O gás veicular destoou, subindo 5,81%.
O índice de difusão mostrou que 65% dos 377 subitens pesquisados ficaram mais caros em maio, sinalizando que as pressões se espalham, embora em ritmo menor que nos meses anteriores.
O IBGE também desagrega o IPCA em serviços e monitorados. Serviços subiram 0,40% no mês (5,97% em 12 meses) e monitorados, 0,43% (5,85% em 12 meses). A inflação de serviços é acompanhada de perto porque tende a responder mais lentamente ao aperto monetário.
Na série de 2026, as leituras mensais ficaram assim: janeiro 0,33%, fevereiro 0,70%, março 0,88%, abril 0,67% e maio 0,58%. O resultado de maio veio acima da projeção de 0,48% do Boletim Focus divulgado em 8/6, que também indica expectativa de 5,11% para a inflação no fechamento do ano.
O IPCA mede o custo de vida de famílias com renda entre um e 40 salários mínimos em 16 capitais e regiões metropolitanas, incluindo Aracaju. A coleta abrange preços em supermercados, padarias, postos de combustível, concessionárias de energia, escolas, planos de saúde e diversos serviços.
Para junho, a bandeira amarela permanece em vigor, o que tende a manter pressão sobre a conta de luz. Já os combustíveis continuaram sem reajuste nas refinarias nas primeiras semanas do mês, sinalizando que podem seguir aliviando o transporte. Analistas, no entanto, apontam que a trajetória dos alimentos dependerá do comportamento da oferta agrícola e dos custos logísticos.
Enquanto isso, governo e Banco Central monitoram de perto os números. Se o IPCA insistir acima de 4,5% até novembro, o CMN poderá ser oficialmente notificado sobre o descumprimento da meta, situação que não ocorre desde 2022. O mercado, por sua vez, ajusta expectativas: a mediana do Focus já subiu de 5,05% para 5,11% em apenas um mês.
Siga o AjuNews e entre no nosso grupo de notícias de Aracaju.









