Afirmação é de Gabriel Gonçalves, que atua na engenharia de dados
“O problema do Brasil não é a falta de dados, mas a integração entre eles”, afirmou o economista Gabriel Gonçalves durante painel em Aracaju.
O painel “Infra-BR: da ideia à construção de um índice nacional de infraestrutura” foi realizado na quarta-feira, 14, durante a 81ª Semana Oficial da Engenharia e da Agronomia (SOEA), em Aracaju. O encontro apresentou o Índice Confea de Infraestrutura do Brasil (Infra-BR), plataforma desenhada para subsidiar decisões públicas.
O índice reúne registros abertos sobre infraestrutura e busca consolidar um diagnóstico capaz de orientar a aplicação de recursos e medir o retorno de obras no país.
A mesa foi moderada por Alexandre Borsato, assessor da Presidência do Confea e gestor do projeto, e reuniu o presidente do Confea, Vinicius Marchese; o economista Gabriel Gonçalves; a consultora técnica Melissa Wilm, coordenadora do projeto; o engenheiro agrônomo Ricardo Chaves Lima, professor da UFPE; e o administrador Sergio Marangoni.
“A Engenharia precisa repensar sua função junto à sociedade. Enquanto não nos envolvermos nesse debate, a população não vai entender nosso papel para qualidade de vida, e um mapa de infraestrutura como esse pode nos ajudar a mudar essa realidade”, afirmou Marchese, que projetou expandir os dados da plataforma ao nível municipal.
O desafio dos dados
Gonçalves contou que o maior desafio não foi mapear as informações, mas conectá-las.
“O problema do Brasil não é a falta de dados, mas a integração entre eles. Foi um trabalho minucioso”, explicou o economista.
Lima detalhou que o processo estatístico exigiu normalizar variáveis distintas — como pontes e quilômetros de estradas asfaltadas — para torná-las comparáveis em todo o território.
“Partimos de teorizar uma série de indicadores e queríamos conversar com engenheiros antes de bater o martelo. Ouvimos professores e especialistas, como o engenheiro civil Maurício Pina, um dos maiores da área de transporte, para ter certeza de que estávamos no rumo certo”, contou. Segundo ele, o projeto chamou atenção quando foi apresentado na China, país de grande investimento tecnológico que não possui ferramenta nesse formato.

Para o professor, a vantagem do índice composto é permitir que áreas isoladas sejam analisadas dentro de um mesmo estado, mostrando o que funciona e o que precisa de atenção. “Isso, para um agente político, é um ‘mapa da mina’”, resumiu.
Uso na gestão pública
Marangoni apontou a ferramenta como ponto de partida para administradores municipais e estaduais. Segundo ele, há um movimento de uso do índice para pautar políticas públicas, e os governadores precisam iniciar as gestões planejando o Plano Plurianual (PPA).
A delegação paulista presente na SOEA também destacou o tema. A engenheira civil Lígia Mackey, presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado de São Paulo (Crea-SP), ressaltou como a mensuração de parâmetros fortalece a atuação da engenharia.
“Decisões baseadas em evidências transformam a atuação técnica em impacto real para a população. Ter um parâmetro nacional integrado permite que nossos especialistas atuem de forma assertiva na formulação de projetos que corrijam assimetrias e garantam eficiência no direcionamento de investimentos públicos e privados”, declarou.
Para Borsato, o impacto dessa credibilidade precisa chegar a Brasília. “Esperamos que nosso Congresso Nacional também se sensibilize e olhe para o Infra-BR antes de destinar um recurso”, concluiu o moderador.
Criado há 92 anos, o Crea-SP é a autarquia federal responsável pela fiscalização e orientação do exercício profissional das engenharias, agronomia e geociências. Está presente nos 645 municípios paulistas, com cerca de 380 mil profissionais e mais de 110 mil empresas registradas.
Com informações da assessoria do Crea-SP
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