O Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) colocou em circulação, nesta semana, o livro Terras Raras no Brasil: estado da arte, cenários e um mapa do caminho estratégico para 2026–2040. A obra, assinada por dez engenheiros, pesquisadores e professores universitários, detalha as reservas nacionais, projeta oportunidades de negócios e apresenta possíveis arranjos industriais para transformar o país em protagonista global no fornecimento e processamento desses 17 elementos químicos de alta tecnologia.
A publicação foi apresentada ao público no VII Seminário Brasileiro de Terras Raras (SBTR), realizado no Rio de Janeiro na última quarta-feira, 1º de julho. O evento reuniu especialistas do Centro de Tecnologia Mineral (Cetem), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e Ministério de Minas e Energia. Ao todo, mais de 300 participantes acompanharam debates sobre oferta, demanda e gargalos logísticos desse mercado avaliado em bilhões de dólares anuais.
“O livro é um documento sobre estratégias para transformar o que a gente tem de terras raras no nosso solo em uma competitividade global”, afirmou o diretor-presidente do CGEE, Anderson Gomes.
Segundo o levantamento, o subsolo brasileiro pode concentrar até um quarto das reservas mundiais, com destaque para jazidas na Amazônia. Esses minerais são essenciais à fabricação de carros elétricos, turbinas eólicas, smartphones e equipamentos de defesa – produtos de alto valor agregado que o Brasil ainda precisa importar.
Gomes ressaltou que o país vive um ponto de inflexão: decidir se continuará exportando apenas matéria-prima, como faz com minério de ferro e soja, ou se investirá na formação de uma cadeia capaz de produzir ímãs permanentes, motores e baterias. Para isso, recomenda políticas industriais, financiamento a empreendimentos e formação de mão de obra especializada.
“Nós temos as terras raras. Não precisamos de ninguém para dizer o que é que nós vamos fazer”, enfatizou o executivo, ao defender escala produtiva e maior autonomia tecnológica.
Nesse sentido, a Universidade Federal de Pernambuco já prepara, em rede com outras instituições, um curso de pós-graduação dedicado ao tema. A meta é capacitar profissionais e ampliar o número de pesquisadores que atuarão desde a exploração até a reciclagem dos minerais.
O estudo também deve servir de insumo para o debate no Senado Federal sobre o Projeto de Lei 2780/2024, já aprovado na Câmara. O texto institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE) e cria o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE), vinculado à Presidência da República. A proposta aguarda despacho da Mesa Diretora desde maio.
Na Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação 2024-2034, minerais críticos aparecem como área prioritária. Entre as diretrizes, estão desenvolver tecnologias de exploração, beneficiamento e reciclagem para reduzir vulnerabilidades em cadeias essenciais e promover a sustentabilidade mineral.
Para os autores do livro, combinar capital nacional e internacional, parcerias público-privadas e acordos multilaterais pode acelerar o avanço brasileiro. Eles projetam que, seguindo o “mapa do caminho” apresentado, o país poderá integrar a lista de maiores produtores mundiais até 2040, exportando não apenas óxidos de terras raras, mas também componentes de alto valor agregado.
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