O presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve, nesta sexta-feira (26), no estaleiro Detroit Brasil, em Itajaí, litoral norte de Santa Catarina, onde acompanhou a construção de dez embarcações de apoio marítimo offshore encomendadas pela Petrobras. O grupo inclui seis navios do tipo PSV (Platform Supply Vessel), destinados ao transporte de cargas a granel, alimentos, fluidos e equipamentos para as plataformas, além de quatro OSRV (Oil Spill Recovery Vessel), focados na contenção e recolhimento de possíveis vazamentos de petróleo em alto-mar.
Durante a visita, Lula destacou que o Programa Mar Aberto, responsável pelas encomendas, prevê a edificação de 42 unidades navais apenas em estaleiros catarinenses, com investimento total de R$ 12 bilhões. A iniciativa deve criar mais de cinco mil empregos diretos, fortalecendo a cadeia produtiva naval do estado.
“Quando você compra de lá, você não desenvolve a indústria nacional. Quando você compra de lá, você não desenvolve tecnologia aqui. Quando você compra de lá, você não gera emprego aqui. Quando você compra de lá, você não paga imposto aqui.”
Segundo o planejamento da Petrobras, outras seis embarcações PSV estão em fase de construção no estaleiro Navship, em Navegantes, município vizinho a apenas 3,5 quilômetros de Itajaí. O pacote faz parte da estratégia de ampliar a frota de apoio às plataformas e navios-sonda, garantindo logística, segurança e capacidade de resposta ambiental.
Além do investimento já em curso, a presidente da estatal, Magda Chambriard, projetou novas contratações.
“Prometi em janeiro de 2025 ao presidente Lula que, em dezembro de 2026, teríamos 48 barcos contratados ou com edital na praça. Promessa é dívida, presidente. Eles estão aí contratados.”
A executiva revelou ainda a negociação para produzir 18 barcaças de transporte de combustível e 18 empurradores, complementando a expansão da frota fluvial.
A Petrobras estima aplicar, até 2032, cerca de R$ 32 bilhões na indústria naval brasileira, combinando recursos próprios e financiamentos do Fundo da Marinha Mercante (FMM). Esses aportes incluem modernização de estaleiros, aquisição de embarcações de diferentes portes e aprimoramento de infraestrutura portuária.
O potencial de geração de emprego não se limita ao setor de óleo e gás. Os estaleiros catarinenses também participam do Programa Fragatas Classe Tamandaré, que prevê R$ 13,9 bilhões em investimentos até 2030, sendo R$ 10,5 bilhões provenientes do Novo PAC. A projeção oficial aponta para cerca de dois mil empregos diretos e seis mil indiretos.
Ao falar para operários, executivos e autoridades locais, Lula reforçou que a construção naval é estratégica para o crescimento econômico, a soberania energética e a defesa nacional. Ele salientou que, ao priorizar a compra de navios produzidos no país, o governo fomenta inovação tecnológica, qualifica mão de obra e mantém a arrecadação de impostos dentro do território brasileiro.
A agenda presidencial em Santa Catarina incluiu ainda reuniões com representantes de sindicatos, empresários e universidades, para discutir parcerias de pesquisa em propulsão verde e redução de emissões na indústria naval. As conversas também abordaram programas de capacitação técnica a serem oferecidos pelo Senai e pelo Instituto Federal Catarinense, visando formar profissionais para atender à crescente demanda do setor.
Com o cronograma de entregas previsto para começar ainda em 2026, as novas embarcações devem reforçar a logística da Petrobras no pré-sal e em novas fronteiras exploratórias. Já as fragatas da classe Tamandaré, voltadas à Marinha, ampliarão a capacidade de vigilância e defesa da costa brasileira.
Ao fim da visita, Lula sublinhou a importância de manter investimentos contínuos para que a indústria naval recupere protagonismo global, gere empregos de qualidade e fortaleça a economia do país.
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