A taxa de pacientes curados do novo coronavírus (covid-19) nos hospitais privados das regiões Norte e Nordeste fica em média de 45%. A informação foi publicada pelo jornal Folha de São Paulo, nesta quinta-feira (23). Em Pernambuco o índice chega a 45%, no Pará fica em 53%, ante 60% em São Paulo e 79% no Rio Grande do Sul.
Na rede privada a taxa de cura chega a ser 50% maior quando comparados a instituições públicas que também tratam pessoas com a doença. Em média, 51% dos doentes hospitalizados em unidades privadas sobrevivem, índice que cai para 34% nos hospitais públicos. Há também mudanças ao longo do tempo. Em períodos de hospitais lotados e grande ocupação das UTIs do SUS, há um maior percentual de mortes. É o que se observa, por exemplo, no Amazonas, primeiro estado a ter o sistema de saúde em colapso, em meados de abril.
Segundo especialistas ouvidos pelo jornal, não é possível apontar apenas uma causa para essa disparidade, mas um fator importante é a questão das doenças crônicas. O controle das comorbidades, de acordo com infectologistas, é questão-chave na batalha contra a doença. É também um dos quesitos em que as desigualdades sociais mais afetam a saúde da população.
Os dados são de levantamento feito pelo jornal com base no Sistema de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde e consideram os pacientes que foram internados (casos graves) até o dia 20 de junho. Para a análise, foram observados os casos de 66.450 pacientes de hospitais públicos e 57.883 de hospitais privados.
Segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), 47 milhões de brasileiros (cerca de 20% da população) têm plano de saúde, logo, acesso a hospitais privados. Estão classificadas como hospitais privados as instituições mantidas por entidades privadas, ainda que haja convênios para realizar determinados atendimentos pelo SUS.
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