Boletim Focus do BC mostra que a projeção do IPCA 2026 caiu de 5,01% para 5%. Mesmo com a revisão, a inflação segue acima do limite da meta; mercado espera Selic a 13,75% em dezembro.
O mercado financeiro voltou a enxugar a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026. De acordo com o Boletim Focus divulgado nesta terça-feira (08/09) pelo Banco Central, a estimativa central para a inflação deste ano cai de 5,01% para 5%. Mesmo com a revisão, a taxa permanece acima do teto da meta de 3% estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, que permite variação de 1,5 ponto percentual – intervalo entre 1,5% e 4,5%.
As expectativas para o comportamento dos preços ao consumidor nos próximos anos quase não se mexem. Para 2027, o Focus aponta IPCA de 4,29%. Em 2028 e 2029, os números projetados são 3,8% e 3,5%, respectivamente. Os economistas consultados mantêm a avaliação de que a inflação ainda encontra pressões importantes, mas apontam tendência de arrefecimento gradual.
Na última leitura oficial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IPCA de julho subiu 0,07%, com forte contribuição da queda nos preços dos alimentos, e passou a acumular 4,44% em 12 meses. O índice completo de agosto será conhecido na próxima sexta-feira (11).
Para atingir a meta, o Banco Central utiliza a taxa Selic como principal ferramenta. No momento, a taxa básica está em 14% ao ano, após novo corte de 0,25 ponto percentual decidido na reunião de agosto do Comitê de Política Monetária (Copom). Segundo o Focus, o mercado acredita que a Selic fechará 2026 em 13,75%. As projeções para 2027, 2028 e 2029 indicam trajetórias de 12%, 10,5% e 10% ao ano, nessa ordem.
O Copom reúne-se outra vez em 15 e 16 de setembro para reavaliar os juros. Especialistas seguem atentos aos impactos da guerra no Oriente Médio, que pressiona preços de combustíveis e alimentos e pode limitar cortes mais agressivos.
O boletim semanal projeta ainda leve ajuste no crescimento da economia. A estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2026 passa de 1,92% para 1,93%. Para 2027, a taxa prevista permanece em 1,5%, enquanto 2028 e 2029 devem registrar avanços de 1,96% e 2%, respectivamente. No segundo trimestre de 2026, o IBGE calculou expansão de 0,5% em relação aos três meses anteriores, acumulando alta de 1,9% em 12 meses. Já em 2025, o PIB cresceu 2,3%, impulsionado sobretudo pela agropecuária.
No câmbio, a mediana das projeções mantém o dólar em R$ 5,20 até dezembro. Para o fim de 2027, a moeda norte-americana é estimada em R$ 5,30.
Os analistas lembram que juros elevados tendem a conter a demanda e, consequentemente, os preços, pois encarecem o crédito e estimulam a poupança. Já cortes na Selic costumam baratear o dinheiro e incentivar produção e consumo, favorecendo a atividade econômica, mas exigem atenção redobrada para não reacender pressões inflacionárias.
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