A ministra do Desenvolvimento Agrário, Fernanda Machiaveli, afirmou que o novo Plano Safra direcionado à agricultura familiar alia volume histórico de crédito a condições financeiras inéditas. Segundo ela, o pacote libera R$ 85,2 bilhões em financiamentos e reduz as taxas de juros para patamares nunca antes praticados pelo segmento.
“Agora conseguimos produzir alimentos com a taxa de 2%. Se for agroecologia, com a taxa de 1%”, ressaltou a gestora durante participação no programa Bom Dia, Ministra, transmitido na manhã de quarta-feira, 01/07.
O anúncio integra uma estratégia considerada pela pasta como de “transição ecológica”. O plano, lançado na terça-feira, 30/06, eleva em 9% a oferta de crédito em comparação com o ciclo anterior e chega ao mercado acompanhado de amplo pacote de assistência técnica, priorizando insumos biológicos e práticas sustentáveis.
Machiaveli relembrou que, em 2023, a linha de financiamento destinada à produção de alimentos disponibilizava R$ 53 bilhões, montante concentrado majoritariamente na Região Sul. Agora, a distribuição se estende a todo o território nacional, com foco especial nas regiões Norte e Nordeste, consideradas de menor acesso histórico ao crédito.
“Conseguimos fazer com que ele chegasse a todas as regiões, focando e dando condições mais facilitadas para os agricultores familiares que estão nas regiões que têm menor acesso, como Norte e Nordeste”, pontuou.
A ministra também ressaltou mecanismos de proteção contra os impactos das mudanças climáticas. Entre eles, o Pró-Agro — seguro destinado a quem contrata o Pronaf — e o Garantia Safra, benefício voltado a agricultores de subsistência no semiárido.
“A atividade agrícola é de risco e, no contexto de mudanças climáticas, esse risco fica muito maior. Nós já sabemos que este ano vai ser desafiador para a população e para a agricultura familiar em especial.”
O Pronaf mantém ainda uma linha exclusiva de adaptação climática, contemplando propriedades nas regiões Norte e Nordeste. Outra iniciativa em destaque é o programa Terra à Mesa. Conforme Machiaveli, o edital divulgado na quarta-feira destina R$ 413 milhões para apoiar 60 mil famílias do semiárido, oferecendo R$ 8 mil por núcleo familiar para ações como implantação de cisternas, instalação de painéis solares, sistemas de irrigação e organização de quintais produtivos.
As linhas de bioeconomia e tecnificação seguem abertas para todo o país, oferecendo taxas de 1,5% a 2% ao ano para investimentos em irrigação e outras tecnologias de adaptação climática, dentro do programa Mais Alimentos.
Com o reforço financeiro e as novas condições, o governo pretende impulsionar a produção de alimentos, reduzir custos para os agricultores familiares e acelerar a adoção de práticas sustentáveis, consolidando o Plano Safra como ferramenta central na agenda de desenvolvimento rural e combate às mudanças climáticas.
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