A acelerada tramitação do projeto de lei das fake news no Congresso chamou a atenção da Organizações da Nações Unidas, que emitiu alerta à missão brasileira em Genebra com preocupações sobre a rapidez do processo e os riscos à privacidade e à liberdade de expressão. A informação foi publicada no jornal Folha de São Paulo, nesta terça-feira (07).
A relatoria especial das Nações Unidas para a proteção da liberdade de expressão, afirma que o direito à privacidade não foi devidamente considerado no PL 2630-2020. Segundo David Kaye, que ocupa desde 2014 a relatoria na ONU, afirmou que o Brasil pode ser um dos primeiros países democráticos a adotar uma medida de rastreabilidade em serviços de mensagem, o que fragiliza o debate público e promove a autocensura.
“Se as pessoas pensam que o fato de compartilharem informações as tornará rastreáveis, o direito de privacidade já foi afetado”, afirmou. O projeto de lei, que já teve cinco redações oficiais, determina que serviços de mensageira privada (como WhatsApp e Telegram) guardem registros (os metadados, como usuário, data e horário de envio) de mensagens veiculadas em “encaminhamentos em massa” por três meses.
O projeto foi apresentado pelo senador por Sergipe, Alessandro Vieira (Cidadania), e aprovado com 44 favoráveis e 32 contrários, em junho no Senado, na forma de um substitutivo (texto alternativo) do relator, senador Angelo Coronel (PSD-BA). A discussão foi marcada por discordâncias entre os senadores sobre vários pontos do texto — que teve, no total, quatro relatórios consecutivos apresentados antes da votação, além de mudanças apresentadas em plenário.
Leia mais
Projeto sobre fake news ganha apoio na Câmara mas deve ganhar versão “curta”
Deputados sergipanos divergem sobre projeto de combate a fake news aprovado no Senado
Senado aprova projeto de combate a notícias falsas e texto vai à Câmara
Bolsonaro diz que projeto sobre fake news não vai vingar e fala em possibilidade de veto
Siga o AjuNews e entre no nosso grupo de notícias de Aracaju.









