Zanin rejeitou recurso que pedia segundo turno e validou a decisão do TSE que excluiu 274.411 votos de Garotinho. Horas depois, Paes anunciou a retirada da candidatura, favorecendo Douglas Ruas.
O cenário eleitoral do Rio de Janeiro mudou de forma decisiva na noite de quinta-feira (8), quando o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou o pedido apresentado pela defesa de Eduardo Paes (PSD) para obrigar a realização de segundo turno na disputa pelo Palácio Guanabara. A negativa manteve a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que, mais cedo, invalidou os 274.411 votos atribuídos a Anthony Garotinho (Republicanos) e abriu caminho para a vitória de Douglas Ruas (PL) já na primeira rodada de votação.
Horas depois do despacho no STF, Paes divulgou nota oficial comunicando a retirada de sua candidatura. O ex-prefeito da capital fluminense argumentou que, no dia 4, a maioria dos eleitores demonstrou vontade de levar a escolha para uma nova etapa, mas reconheceu que a determinação judicial prevalece sobre qualquer expectativa política. Na mensagem, ele agradeceu aos 3,7 milhões de apoiadores que depositaram confiança em seu projeto.
“Infelizmente, a Justiça decidiu que não haverá segundo turno, contrariando a vontade soberana dos eleitores. E decisão judicial a gente respeita. É assim que funciona a democracia”, afirmou.
Paes ressaltou que o estado atravessa uma das piores crises de sua história, sobretudo na segurança pública, e assegurou que permanecerá engajado na cobrança de respostas da nova administração. Segundo ele, seu grupo político e o PSD ficarão “vigilantes”, atentos ao desempenho de um governo que considera continuidade da gestão vigente nos últimos oito anos.
A sequência de decisões judiciais iniciou-se ainda na véspera da votação. Na sexta-feira (2), o relator Floriano de Azevedo Marques determinou que os votos de Garotinho fossem registrados como “anulados sub judice”. No próprio domingo eleitoral, o ministro Nunes Marques ordenou a contabilização provisória dessas cédulas, medida revertida quando o plenário do TSE concluiu o julgamento na quinta-feira (8) por 5 votos a 2.
Com a exclusão dos votos de Garotinho, Ruas superou o patamar de metade mais um dos votos válidos por vantagem de aproximadamente 74 mil sufrágios. Na contagem inicial, ele somava 49,27%. Após a retotalização, ultrapassou 50% e assegurou a eleição em turno único, eliminando a possibilidade de nova disputa.
O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) ainda precisa formalizar o resultado, mas, na prática, a definição do TSE encerrou a querela jurídica. Enquanto isso, Paes, agora fora da corrida, reforçou em público seu “amor pelo Rio” e prometeu seguir defendendo “as mudanças de que o nosso estado tanto precisa”.
A desistência do recurso por parte de Garotinho, apresentada logo após a ida às urnas, também foi rejeitada pelo TSE, que preferiu analisar o mérito para evitar insegurança jurídica. Dessa forma, a corte consolidou entendimento de que candidaturas sub judice não podem influenciar o desfecho eleitoral quando incorrem em inelegibilidade confirmada.
Com o tabuleiro definido, analistas preveem que a transição de governo será marcada por debate intenso sobre segurança, finanças públicas e retomada de investimentos. Paes, embora fora do pleito, sinalizou que pretende atuar como voz ativa na oposição, enquanto Ruas prepara a equipe de secretários para assumir em janeiro. O desenrolar dos próximos meses indicará se a promessa de vigilância do PSD se traduzirá em diálogo institucional ou em confronto político direto.
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