Companhia confirmou segunda descoberta em bloco FZA-M-59, a 175 km do Amapá, em lâmina d'água de 2.886 m. Presidente Magda Chambriard considera o achado passo decisivo para abrir nova fronteira exploratória.
A Petrobras confirmou a segunda descoberta de petróleo no poço Morpho, localizado no Bloco FZA-M-59, na bacia da Foz do Amazonas, a 175 quilômetros da costa do Amapá e em lâmina d’água de 2.886 metros. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (02/10) pela presidente da companhia, Magda Chambriard, que classificou o achado como um passo decisivo para a abertura de uma possível nova fronteira exploratória no país.
“Ainda não podemos garantir, mas tudo indica que estamos realmente abrindo uma nova fronteira exploratória. Existe o otimismo de que essa fronteira ajude a mitigar o déficit de produção no Brasil. Não sabemos se vamos ter uma descoberta com valor comercial, mas tudo indica que sim”, afirmou Magda.
Segundo a executiva, a amostra retirada do reservatório apresenta óleo de baixa viscosidade, característica valorizada pelo mercado de refino. Os dados exatos de densidade (grau API) permanecem sob sigilo regulatório, mas a dirigente adiantou que o material é “maravilhoso” em termos de qualidade.
Um estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) estima que o volume recuperável da Bacia da Foz do Amazonas pode chegar a 10 bilhões de barris de óleo equivalente, somando petróleo e gás natural. A primeira ocorrência no poço Morpho já havia sido registrada em agosto deste ano. Para Magda, a confirmação de sucessivos indícios fortalece o potencial do Amapá no mapa energético nacional.
“Todas as etapas até agora estão confirmando as anteriores e esquentando a área. A cada nova notícia, estamos aumentando o valor destas áreas exploratórias para a Petrobras. Estamos esquentando o Amapá, o estado está ficando mais valioso a cada dia”, comentou.
A Petrobras recebeu licença do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em outubro de 2025 para perfurar na Foz do Amazonas. Os testes no Morpho devem prosseguir até o fim deste mês. Depois, a sonda será deslocada ao Rio Grande do Norte para perfurar o prospecto Mãe de Ouro, na Bacia Potiguar, em novembro.
O plano para a margem equatorial inclui mobilizar nova sonda no primeiro trimestre de 2027, quando serão perfurados três poços de delimitação. A etapa posterior definirá a comercialidade das jazidas, caso os volumes se confirmem economicamente viáveis.
Enquanto a estatal avança na operação, o Ministério Público Federal (MPF) move ação no Tribunal Regional Federal da 1ª Região pedindo a suspensão da licença ambiental. O órgão argumenta riscos ambientais, citando o vazamento de mais de 18 mil litros de fluido químico ocorrido em janeiro e a ausência de consulta prévia a povos indígenas, comunidades quilombolas e pescadores artesanais do Amapá e do Pará, conforme a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho.
Até que a Justiça decida sobre o pleito, a Petrobras mantém o cronograma previsto e aposta na descoberta para reduzir o déficit de produção e diversificar a oferta de petróleo no país.
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