Ex-jogadoras que integraram a seleção feminina de 1988 atuam como treinadoras e esperam reconhecimento previsto na Lei da Copa
Transmissão: Record
Márcia Honório da Silva, conhecida como Marcinha, continua atuando no desenvolvimento de jovens jogadores mais de duas décadas após encerrar cerca de 20 anos de carreira como atleta. Natural de Caieiras (SP) e com 63 anos, ela trabalha com categorias de base do futsal na Sociedade Esportiva e Recreativa de Caieiras, atendendo crianças de sete a 10 anos. Entre os atletas que passaram por suas equipes estão o volante Nonato, atualmente no Fluminense, e o meia Rodrigo Nestor, do Bahia; um dos ex-alunos é Matheus Bidu, lateral-esquerdo do Corinthians.
Marcinha integrou a primeira seleção feminina do Brasil que ficou em terceiro lugar no Torneio Experimental da Fifa, disputado em 1988, na China. A competição reuniu 12 países e serviu de base para a criação da Copa do Mundo Feminina, cuja primeira edição foi realizada em 1991 no mesmo país. Hoje, ela destaca a maior estrutura e visibilidade do futebol feminino, mas ressalta que valores como dedicação e disciplina continuam essenciais na formação de atletas.
O Projeto de Lei 1315/2026, que institui a Lei Geral da Copa de 2027 — a ser disputada no Brasil — prevê pagamento de R$ 500 mil às atletas das gerações de 1988 e 1991. A proposta busca reconhecer formalmente as pioneiras, em medida inspirada no apoio dado aos campeões do Mundial masculino de 2014, quando 51 integrantes das seleções de 1958, 1962 e 1970, ou seus sucessores legais, receberam reconhecimento.
Outra integrante daquele período, Rosilane Camargo Motta, a Fanta, de 60 anos, também permanece envolvida com o futebol. Lateral-esquerda que atuou no torneio de 1988 e em três Copas do Mundo (1991, 1995 e 1999), ela ministra aulas para meninas no Parque Oeste, no Rio de Janeiro, e participa de iniciativas de fomento à modalidade. Fanta lembra que o futebol feminino foi proibido entre 1941 e 1979 pelo Decreto-Lei 3199 e avalia o eventual reconhecimento como justo e legado para novas gerações.
Fanta também trabalha em uma das Vilas Olímpicas do projeto Rio: Capital do Futebol Feminino, ao lado da ex-zagueira Marisa, capitã da seleção de 1988. As atletas pioneiras aguardam com expectativa a realização da Copa do Mundo de 2027 no Brasil, na perspectiva de que o torneio contribua para avanços em profissionalismo, investimento nas bases e maior visibilidade para a modalidade.
Siga o AjuNews e entre no nosso grupo de notícias de Aracaju.









