Dados do Indec divulgados nesta quinta (24) mostram que 32,3% dos argentinos (9,7 milhões) viveram em pobreza no 1º semestre de 2026. A indigência subiu de 6,3% para 7,5%, cerca de 2,2 milhões de pessoas.
O Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec) da Argentina divulgou, nesta quinta-feira (24), que 32,3% da população vive em situação de pobreza no primeiro semestre de 2026. O número equivale a 9,7 milhões de pessoas e representa avanço expressivo em relação aos 28,2% registrados no semestre anterior.
A mesma pesquisa mostra que a indigência — nível de renda que não cobre nem a cesta básica de alimentos — passou de 6,3% para 7,5% no mesmo período, alcançando cerca de 2,2 milhões de argentinos. Os cálculos consideram o desempenho de 31 regiões urbanas e avaliam a capacidade das famílias de arcar com a cesta básica alimentar e com a cesta básica total, que inclui itens como moradia, transporte e vestuário.
“Em média, a renda familiar per capita aumentou 11,5%. As cestas regionais médias aumentaram 21,4% (Cesta Básica Alimentar) e 19,6% (Cesta Básica Total)”, diz o documento do Indec.
Ainda segundo o instituto, crianças e adolescentes de até 14 anos representam 44,5% dos pobres identificados no levantamento. O resultado preocupa especialistas porque interrompe uma sequência de queda observada desde o fim de 2024, quando a taxa de pobreza chegou a 52,9%.
O avanço da vulnerabilidade social ocorre em meio a sinais persistentes de desaceleração econômica. O Indec apontou retração de 2,9% na atividade econômica em julho, na comparação com junho. A perda de dinamismo acompanha o fechamento de 31 mil empresas e 245 mil empregos formais desde o início do governo de Javier Milei, segundo registros oficiais.
Nas redes sociais, o ministro da Economia argentino, Luis Caputo, minimizou o impacto dos novos índices. Ele observou que, embora as taxas de pobreza e indigência tenham aumentado 4,1 e 1,2 ponto percentual, respectivamente, em relação ao semestre imediatamente anterior, ambas seguem em queda quando comparadas ao primeiro semestre de 2024.
“Embora as taxas de pobreza e de indigência tenham aumentado 4,1 ponto percentual e 1,2 ponto percentual em relação ao semestre anterior, ambas as taxas registraram forte queda em relação ao primeiro semestre de 2024”, argumentou Caputo.
O ministro também relativizou a retração econômica de julho, lembrando que, no acumulado de janeiro a julho, o nível de atividade ainda exibe crescimento de 1,7%. Para Caputo, “diversos choques transitórios” reduziram a produção no sétimo mês do ano. Entre eles, mencionou menor oferta de gás para a indústria, chuvas e nevascas acima da média que afetaram construção, mineração e certos serviços, além da redução de horas trabalhadas em razão da Copa do Mundo de Futebol.
Economistas consultados por veículos locais avaliam que a combinação de inflação elevada, perda de poder de compra e menor ritmo industrial pressiona especialmente as famílias de baixa renda. Analistas destacam que a melhora observada em 2025 se deveu, em parte, à recuperação do emprego informal e a programas de assistência, cujo impacto não teria sido suficiente para conter a nova deterioração registrada nos primeiros seis meses de 2026.
Com a divulgação do relatório, organizações sociais passaram a cobrar políticas adicionais de transferência de renda e medidas de estímulo ao emprego, enquanto parte do setor privado defende reformas estruturais para destravar investimentos. O debate deve se intensificar nas próximas semanas, já que o orçamento de 2027 precisa ser encaminhado ao Congresso até o fim de setembro.
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