O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) voltou a registrar deflação e fechou junho em –0,50%, interrompendo uma sequência de quatro altas mensais. A retração foi impulsionada, sobretudo, pelo recuo nos preços de combustíveis, minérios e café, itens que ajudaram a tornar o custo de vida e de produção um pouco mais leve no mês.
A última vez que o indicador tinha ficado negativo foi em fevereiro. Agora, em 2026, o acumulado do ano chega a 3,27%, enquanto a variação em 12 meses soma 3,16%. Embora o resultado represente alívio pontual, ele veio muito abaixo das projeções do mercado financeiro: a pesquisa Focus desta segunda-feira indicava alta de 0,03%.
Na avaliação de Matheus Dias, economista da Fundação Getulio Vargas (FGV), a queda está ligada à normalização das cotações internacionais de commodities energéticas e minerais.
“Os preços de petróleo e minérios convergiram para níveis anteriores ao agravamento do conflito no Oriente Médio. Esse movimento, aliado à boa oferta agrícola, contribuiu para reduzir cana-de-açúcar e café em grão”, explicou.
O alívio sentido pelos produtores começa a ser percebido pelos consumidores. Segundo Dias:
“Parte dessa redução nos preços ao produtor tem sido repassada aos preços ao consumidor, com destaque para as quedas em gasolina, etanol e café em pó”.
O IGP-M reúne três subíndices. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) tem maior peso, responde por 60% do resultado e encolheu 0,97% em junho. Entre os destaques estão minério de ferro (–2,61%), café em grão (–9,69%) e óleo diesel (–6,18%).
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Responsável por 30% da composição, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) subiu 0,47%, abaixo de maio (0,61%). Ainda assim, itens importantes para o bolso das famílias ficaram mais baratos, como gasolina (–1,29%), etanol (–5,61%), maçã (–3,75%) e leite longa vida (–0,80%).
O terceiro pilar é o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), que avançou 0,85%. Nesse grupo, a retração mais expressiva ficou com o carreto para retirada de entulho (–0,17%).
Veja a trajetória do IGP-M em 2026:
• Janeiro: 0,41%
• Fevereiro: –0,73%
• Março: 0,52%
• Abril: 2,73%
• Maio: 0,84%
• Junho: –0,50%
Mesmo com a desaceleração de junho, o mercado ainda projeta que o índice encerrará 2026 em 6,15% no acumulado de 12 meses. Esse número é relevante porque o IGP-M serve de referência para reajustar contratos de aluguel e tarifas públicas, como energia e telefonia.
Para calcular o indicador, a FGV coleta preços entre 21 de maio e 20 de junho em Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador. O cruzamento desses dados fornece um retrato atualizado da formação de preços no país, refletindo tanto a dinâmica internacional das commodities quanto as condições de oferta e demanda internas.
Especialistas alertam que, embora a deflação pontual represente fôlego para consumidores e empresas, ainda é cedo para afirmar que a tendência vai se manter. Choques externos, variação cambial e eventos climáticos podem interferir nos custos de produção e, consequentemente, no comportamento do IGP-M nos próximos meses.
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