O registro de furtos caiu de 3.099 para 2.013, em Aracaju, o equivalente a uma redução de 35,0%, durante o período de eclosão da pandemia de covid-19, entre março e julho deste ano. Já o número de roubos passou de 4.194 para 1.947 (- 53,6%) no período analisado. Os dados fazem parte de um estudo do Laboratório de Economia Aplicada e Desenvolvimento Regional (Leader) da Universidade Federal de Sergipe (UFS).
A pesquisa foi feita com dados da Coordenadoria de Estatística e Análise Criminal da Secretaria de Estado da Segurança Pública (CEACrim). Ao todo, os pesquisadores analisaram os índices de quatro modalidades de crime na capital sergipana. O levantamento no âmbito do Projeto EpiSergipe considera o período de maiores registros de casos da pandemia em comparação ao mesmo período de 2019.
Segundo o autor da análise e professor de Economia da UFS, Marco Antônio Jorge, era esperado que os crimes de roubo e furtos contra o patrimônio fossem mais numerosos do que os crimes contra a pessoa. “Além de mais comuns nos locais mais populosos e de maior dinamismo econômico. Isso está ligado a diminuição na circulação de pessoas e a redução da atividade econômica,” apontou.
Em termos percentuais, os bairros que registraram as quedas mais expressivas de furtos, na capital, foram o Dezessete de Março (-78,6%), Porto Dantas (-70,0%) e Jardim Centenário (-62,1%). Já as maiores variações quanto aos roubos ocorreram no Dezessete de Março, que caiu de 40 para 4 casos (-90,0%), Pereira Lobo de 27 para 4 (-85,2%), e Treze de Julho, de 45 para 12 (-73,3%).
Já os registros de casos de violência doméstica, diminuíram de 167 para 119 (- 28,7%) no período de análise. Já os homicídios dolosos saltaram de 70 para 91 (+ 30,0%), revertendo a queda apresentada no ano passado e dando continuidade ao movimento verificado no primeiro bimestre deste ano.
Para o pesquisador, “em decorrência da pandemia do novo coronavírus, era possível esperar por uma queda nos registros. “A presença de potenciais agressores por mais tempo em casa poderia exacerbar os casos de violência doméstica, mas o registro desses casos caiu na capital e interior”, explicou.
Com relação aos homicídios dolosos, entre março e julho de 2020, os bairros Santa Maria, Cidade Nova, Jardim Centenário, Bairro Industrial, Santos Dumont e Zona de Expansão responderam por 40 dos 91 homicídios dolosos cometidos em Aracaju, o equivalente a 44% dos casos da capital.
Houve também, um aumento na concentração desse tipo de crime em relação ao mesmo período de 2019, quando esses bairros representavam 51,4% dos casos ocorridos (36 de 70).
“Dos quatro crimes analisados, o homicídio doloso é o único que aumenta entre 2019 e 2020. Vale lembrar que os casos de homicídio caíram no estado em 2019, mas começaram a crescer nos dois primeiros meses deste ano em comparação a 2019. Mas este não é um cenário exclusivo do estado de Sergipe. Esse cenário reverte a queda apresentada no período de pré-pandemia, o que pode decorrer do recrudescimento na competição do crime organizado pelo mercado de drogas”, destacou o professor.
O pesquisador também chamou a atenção para diferenças intraurbanas significativas, pois, 14 bairros não tiveram nenhum caso de homicídio entre março e julho deste ano. Eram 20 ano passado. Além disso, houve ainda uma queda em sete localidades, aumento em 18, e 16 bairros não apresentaram qualquer variação no período.
Projeto EpiSergipe
A Universidade Federal de Sergipe firmou uma parceria com o Governo do Estado para o desenvolvimento de um projeto que visa acompanhar o grau de contaminação e os impactos do novo coronavírus em Sergipe. O investimento é de R$ 4.1 milhões através de emenda parlamentar.
O projeto foi subdividido em três vertentes, tem duração de um ano e consiste em monitorar o nível de infecção por covid-19, identificando-se a prevalência em quinze municípios, estimar os impactos socioeconômicos da pandemia no estado e acompanhar os impactos sociais da pandemia em populações vulneráveis.
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