O deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ) disparou contra o presidente do DEM, ACM Neto, após a perda da eleição na Câmara dos Deputados. Maia, ex-presidente da Casa, viu seu aliado Baleia Rossi (MDB-SP) perder para Arthur Lira (PP-AL). Um momento chave da derrota foi a dissidência do DEM na candidatura de Rossi, o que irritou Maia.
Em entrevista ao Valor Econômico, Maia culpou ACM Neto pela situação e disse que, em caso de saída do DEM, não estará ligado ao ex-prefeito de Salvador (BA). “O partido a que vou me filiar será de oposição, diferentemente do ACM Neto, que fala uma coisa em ‘off’ e em ‘on’ fala outra, que diz que não apoia de jeito nenhum e ao mesmo tempo dá entrevista dizendo que pode ir do Ciro [Gomes] ao [Jair] Bolsonaro. Mostra que não tem ou perdeu a coluna vertebral”, afirmou.
Maia afirmou que percebeu a “traição” de ACM Neto e de Ronaldo Caiado (DEM), governador de Goiás, na reunião do 31 de janeiro. Foi naquela véspera da eleição que o DEM decidiu não apoiar Baleia Rossi na Câmara.
“Pela relação de muitos anos, só percebi depois da reunião que foi feita comigo e com os líderes partidários antes da reunião do DEM, no domingo à noite (dia 31 de janeiro). Do Caiado eu percebi antes. Ele dizia que não podia ficar contra mim de jeito nenhum… e nenhum voto dele vinha”, disse Maia.
O deputado seguiu disparando contra ACM Neto, e assumiu que Baleia Rossi teria mais votos se não fosse o movimento do DEM. Segundo Maia, o presidente da legenda “ele entregou a nossa cabeça numa bandeja para o Palácio do Planalto”.
“Mas não tenho duvida nenhuma que a decisão do Neto foi decisiva para desidratar a candidatura do Baleia. […] Se não tivesse esse movimento, ele [Baleira Rossi] teria de 240 a 260 votos. Era outra eleição, com ele favorito, claro. Mesmo a gente tendo feito o movimento que interessava ao candidato do Neto no Senado, ele entregou a nossa cabeça numa bandeja para o Palácio do Planalto”
Por fim, Maia disse que o DEM acabará se tornando um partido de extrema-direita caso se alinhe com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). “Trabalhei no DEM por 20 anos para transformá-lo num partido de centro, centro-direita, e o partido decidiu não apenas pelos seus deputados, mas pela sua direção, que é um partido que tende a ser de direita, extrema-direita, apoiando o Bolsonaro”, concluiu.
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