O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) divulgou em 3 de junho de 2026 que a balança comercial brasileira fechou o mês de maio com superávit de US$ 7,823 bilhões. O valor representa expansão de 10,8% sobre o resultado de maio de 2025 (US$ 7,059 bilhões) e configura o quarto melhor desempenho da série histórica para o mês, iniciada em 1989.
As exportações somaram US$ 31,904 bilhões, crescimento de 6,6% frente ao mesmo período do ano passado, enquanto as importações totalizaram US$ 24,081 bilhões, aumento de 5,3%. Ambos os montantes são os segundos mais altos para meses de maio, perdendo apenas para 2023, no caso das vendas externas, e para 2022, no caso das compras.
No acumulado de janeiro a maio, o saldo comercial positivo chegou a US$ 32,662 bilhões, evolução de 34,2% ante os cinco primeiros meses de 2025. O resultado foi influenciado pela valorização das commodities e pela ausência, em 2026, da importação pontual de uma plataforma de petróleo ocorrida em fevereiro do ano passado. No período, as exportações totalizaram US$ 148,571 bilhões (+8,7%) e as importações, US$ 115,908 bilhões (+3,2%).
Entre os setores, a agropecuária liderou a alta nas vendas externas de maio, com avanço de 9,8%, impulsionada principalmente pela soja, cujo faturamento cresceu 14,6%. A indústria de transformação registrou aumento de 9%, destacando-se carne bovina (+50,2%), combustíveis (+75,2%) e ouro não monetário (+56,7%). Já a indústria extrativa recuou 1,9%, reflexo da queda nas exportações de petróleo bruto (-9,3%) e minério de ferro (-15,2%), apesar do salto de 149,4% nas vendas de minério de cobre.
Em valores absolutos, a soja adicionou US$ 804,1 milhões ao desempenho mensal, seguida pelo minério de cobre, com incremento de US$ 617,9 milhões. Por outro lado, o petróleo bruto retirou US$ 390,8 milhões do resultado, em razão de uma retração de 42,1% no volume exportado, mesmo com a alta de 56,7% no preço médio influenciada pelo conflito no Oriente Médio.
O café também apresentou retração. As vendas externas recuaram 24,5% (US$ 297,6 milhões) em comparação com maio de 2025, impactadas por quedas de 8,6% no volume e de 13,4% no preço médio.
Do lado das importações, a principal pressão veio da indústria de transformação. A categoria veículos puxou o avanço, com aumento de US$ 833,5 milhões nas compras externas. Entre os produtos mais comprados em maio figuraram automóveis de passageiros (+80,1%), combustíveis (+45,2%) e válvulas e tubos termiônicos (+49%). Na agropecuária, pescados (+38,1%) e produtos hortícolas (+26,6%) lideraram. Já na indústria extrativa destacaram-se fertilizantes brutos (+68,4%) e carvão não aglomerado (+59,8%).
Para o ano de 2026, o Mdic projeta superávit de US$ 72,1 bilhões, superando em 5,9% o resultado de 2025. A estimativa oficial aponta exportações de US$ 364,2 bilhões (+4,6%) e importações de US$ 280,2 bilhões (+4,2%). A próxima revisão trimestral dos números será apresentada em julho. Analistas do mercado financeiro consultados pelo Banco Central, no Boletim Focus, trabalham com saldo ainda mais elevado, de US$ 76,2 bilhões.
Se confirmadas as previsões, o desempenho de 2026 se aproximará do recorde de 2023, quando o saldo comercial atingiu US$ 98,9 bilhões. O governo atribui a expectativa de crescimento ao cenário de preços firmes para commodities agrícolas e minerais, além da perspectiva de retomada gradual da economia global.
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