O comércio exterior brasileiro encerrou junho com resultado positivo expressivo. A balança comercial registrou superávit de US$ 9,8 bilhões, avanço de 66,6% em relação ao mesmo mês de 2025. O desempenho foi impulsionado pela combinação de alta nas exportações – que saltaram 24,9% – e crescimento mais moderado nas importações, de 14,4%.
Com as remessas de soja, petróleo, carnes e minério de ferro em destaque, as vendas externas totalizaram US$ 36,3 bilhões, enquanto as compras no exterior chegaram a US$ 26,5 bilhões. A corrente de comércio (soma de exportações e importações) alcançou US$ 62,8 bilhões, o maior patamar já aferido para um mês desde o início da série histórica.
Entre os setores exportadores, a indústria extrativa liderou o crescimento, movimentando US$ 9,9 bilhões – 58,4% acima de junho do ano passado. A indústria de transformação veio em seguida, com US$ 18 bilhões (+14,7%), e a agropecuária somou US$ 8,1 bilhões (+18%). Produtos como petróleo bruto (+78,9%) e minério de ferro (+20%) puxaram a lista dos mais embarcados, enquanto combustíveis refinados (+88,8%), carnes de aves (+62,4%) e carne bovina (+39,2%) se destacaram na indústria de transformação. No campo, a soja permaneceu dominante, com avanço de 17,3%.
“Ainda é cedo para mensurar o impacto do acordo Mercosul-União Europeia, mas já recebemos sinais de maior interesse de compradores europeus”, avaliou Herlon Brandão, diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Os embarques cresceram em praticamente todos os principais mercados: Ásia (US$ 17,4 bilhões; +29,9%), Europa (US$ 6,4 bilhões; +43,9%), América do Norte (US$ 4,9 bilhões; +8,5%) e América do Sul (US$ 3,9 bilhões; +7%). Mesmo diante de tensões tarifárias, as vendas para os Estados Unidos avançaram 3,7% entre maio e junho.
Pelo lado das importações, os bens intermediários continuaram a representar a maior fatia, com US$ 15,1 bilhões (+10,9%). Os bens de consumo vieram na sequência, somando US$ 5,7 bilhões (+34%), seguidos por bens de capital (US$ 3,5 bilhões; +5,7%) e combustíveis (US$ 2,2 bilhões; +11,6%).
No acumulado do primeiro semestre, o saldo comercial positivo atingiu US$ 42,4 bilhões, consequência de exportações de US$ 184,8 bilhões (+11,5%) e importações de US$ 142,4 bilhões (+5,1%).
Diante desses números, o MDIC revisou suas projeções para o ano de 2026. O superávit estimado passou de US$ 72,1 bilhões para US$ 90 bilhões. A pasta espera agora exportações de US$ 394,4 bilhões (ante US$ 364,2 bilhões previstos anteriormente) e importações de US$ 304,4 bilhões (antes, US$ 292,1 bilhões). Analistas de mercado consultados pelo Banco Central, porém, permanecem mais cautelosos e projetam superávit de US$ 76,2 bilhões.
Mesmo com visões distintas, a trajetória ascendente da balança comercial reforçou a confiança do governo em um resultado robusto ao fim do ano, respaldada pela oportunidade de diversificação de mercados e pela valorização de commodities brasileiras.
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