Os titulares de cartório aparecem no topo da lista de contribuintes com maior patrimônio médio declarado no Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) 2026. Segundo os painéis estatísticos divulgados nesta quinta-feira (2) pela Receita Federal, esse grupo declarou, em média, R$ 3,28 milhões em bens, valor quase oito vezes superior à média geral dos declarantes, que ficou em R$ 409 mil.
O levantamento, inédito em nível de detalhamento, permite a qualquer cidadão cruzar informações por profissão, faixa de renda, sexo, idade, raça, cor e unidade da Federação, preservando o sigilo dos contribuintes. Os dados foram extraídos das 44,498 milhões de declarações entregues em 2026.
Confira os sete primeiros colocados no ranking de patrimônio médio declarado (ano-base 2025):
- Titulares de cartório: R$ 3,28 milhões;
- Membros do Poder Judiciário: R$ 2,93 milhões;
- Membros do Ministério Público: R$ 2,9 milhões;
- Diplomatas e afins: R$ 2,52 milhões;
- Atletas, desportistas e afins: R$ 1,71 milhão;
- Dirigentes, presidentes e diretores de empresa industrial: R$ 1,66 milhão;
- Produtores agropecuários: R$ 1,58 milhão.
A Receita explica que os números representam apenas quem efetivamente entregou a declaração – ou seja, parte da população com rendimentos tributáveis acima de R$ 35.584 em 2025 ou enquadrada em outros critérios de obrigatoriedade. Pessoas isentas de declarar não entram nas estatísticas.
Além do ranking, os painéis trazem indicadores sobre restituição, imposto a pagar, uso de declaração pré-preenchida e modelo simplificado. Do total de declarações recebidas, 56,1% resultaram em imposto a restituir, 23% em imposto a pagar e 21% ficaram sem saldo. Há ainda 8,1% de declarações retificadoras.
“A iniciativa amplia a transparência sem comprometer o sigilo fiscal e oferece insumos valiosos para estudos e formulação de políticas públicas”, afirma o supervisor nacional do Imposto de Renda, José Carlos Fonseca.
Para garantir a confidencialidade, a plataforma bloqueia qualquer tentativa de cruzamento que possa levar à identificação de uma pessoa específica. Os filtros só exibem resultados quando há um número mínimo de declarantes na combinação escolhida.
Especialistas avaliam que a ferramenta pode ajudar a mapear desigualdades regionais, aperfeiçoar programas de educação fiscal e orientar ajustes na tributação de diferentes segmentos profissionais. Pesquisadores também destacam o potencial para análises sobre gênero, raça e renda, já que as variáveis podem ser combinadas de forma dinâmica.
A consulta é aberta ao público e apresenta gráficos interativos, tabelas e séries históricas. A Receita pretende atualizar os painéis a cada ano, logo após o encerramento do prazo de entrega das declarações, mantendo a base de dados permanentemente disponível.
Com a divulgação, o Fisco reforça a agenda de transparência iniciada nos últimos anos, que já inclui relatórios sobre arrecadação, malha fina e restituições. A expectativa é que universidades, órgãos de controle e a própria sociedade utilizem as informações para acompanhar tendências e propor melhorias no sistema tributário.
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