Os índices americanos fecharam em queda nesta segunda, afetados pelo salto do petróleo e pelo temor de alta na inflação. A aversão ao risco cresceu após Washington descartar oferta iraniana de paz trazida pelo Catar.
Os mercados norte-americanos encerraram o pregão em terreno negativo nesta segunda-feira, 28/09, em meio à escalada nos preços do petróleo bruto e à inquietação dos investidores com a trajetória da inflação nos Estados Unidos. A aversão ao risco ganhou força depois que o presidente norte-americano, Donald Trump, rejeitou a oferta apresentada pelo Irã para pôr fim ao conflito no Oriente Médio, proposta que havia sido levada a Washington por mediadores do Catar.
Com a sinalização de que a tensão geopolítica continua sem solução, o barril do Brent para entrega mais próxima avançou cerca de 2%, para US$ 107. O salto da commodity alimentou a perspectiva de custos de energia mais altos e pressionou os rendimentos dos Treasuries, sobretudo nos papéis de prazos longos, que alcançaram novos picos em décadas.
Nesse ambiente, o Dow Jones Industrial Average caiu 0,47%, para 51.583,60 pontos; o S&P 500 recuou 0,46%, a 7.707,50 pontos; e o Nasdaq Composite perdeu 0,65%, marcando 26.893,56 pontos. Entre os 11 setores do S&P 500, o de bens de consumo discricionário liderou as baixas, com retração de 1,3%. DoorDash e Carvana figuraram entre as maiores quedas, devolvendo 6% e 5%, respectivamente.
Apesar do clima sombrio, a gigante de semicondutores Nvidia caminhou na contramão do mercado. As ações avançaram 3,2% após a companhia anunciar autorização para recomprar até US$ 150 bilhões em papéis, montante descrito por analistas como o maior programa de recompra já divulgado pela fabricante de chips.
“A energia tem sido a única pressão consistente de alta sobre a inflação, e qualquer fator que continue a pressionar a inflação será algo que motivará o Fed a elevar os juros”
A avaliação foi feita por Art Hogan, estrategista-chefe de mercado da B. Riley Wealth, ao comentar a reação imediata nos rendimentos dos títulos do Tesouro.
Os investidores também mantêm o foco na política monetária. Ferramenta de acompanhamento de apostas do mercado indica 68% de probabilidade de que o Federal Reserve volte a subir a taxa básica em 25 pontos-base na reunião marcada para outubro. Essa percepção deverá ser testada ao longo da semana, quando saem dados cruciais de atividade e inflação nos Estados Unidos.
No front diplomático, o governo iraniano reiterou que busca uma “solução política duradoura” e confirmou ter detalhado a iniciativa na Assembleia Geral da ONU, na semana passada. Ainda assim, o chefe do Executivo norte-americano reafirmou, em entrevista ao site Axios no domingo, que a proposta “não atende aos interesses de segurança”. Ele, contudo, sinalizou abertura para que negociadores mantenham conversas nos próximos dias.
Em meio a essa combinação de tensão externa, petróleo caro e incerteza sobre os juros, analistas alertam que a volatilidade deve permanecer elevada. Desempenhos setoriais divergentes — como a arrancada da Nvidia diante do tombo das varejistas on-line — ilustram a cautela seletiva que deve seguir pautando as decisões de alocação enquanto não houver clareza sobre o rumo do conflito e da política monetária.
Para o investidor, o recado desta segunda-feira é direto: o mercado volta a precificar risco geopolítico na inflação americana, e qualquer sinal de negociação entre Washington e Teerã será acompanhado de perto. Até lá, a oscilação dos preços do petróleo e dos rendimentos dos Treasuries tende a continuar ditando o humor em Wall Street.
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