Mesmo após a decisão judicial que determinou, na manhã desta sexta-feira (14), a suspensão da greve dos policiais e delegados de forma imediata, o Movimento Polícia Unida convocou toda a categoria, incluindo bombeiros e escrivães, para um ato em frente à Secretaria de Segurança Pública (SSP), em Aracaju, às 8h desta segunda-feira (17). Eles se mobilizaram desde a noite da última terça (12), para demonstrar sua indignação ao Governo do Estado pela não aprovação do adicional de periculosidade e, também, da reestruturação da carreira de agentes, agentes auxiliares e escrivães; corte nas horas extras, além do não pagamento das reposições inflacionárias.
De acordo com o delegado da Polícia Civil, Paulo Márcio, “ou a SSP sai da zona de conforto e entra na luta para defender seus valorosos servidores, ou a Polícia vai parar de vez”. A autoridade tem o mesmo argumento do presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de Sergipe, Isaque Cangussu, de que outras classes de servidores privilegiados tiveram benefícios acumulados, enquanto que o governo estadual alegou não ter condições para atender as demandas da categoria policial.
Durante um ano e meio, os policiais e bombeiros sergipanos, através do Movimento Polícia Unida, tentaram dialogar com o governo do Estado. E, apesar do governador Belivaldo Chagas (PSD) alegar que houve diálogo, as pautas da categoria não foram atendidas durante esse tempo. Os profissionais tiveram que recorrer ao Poder Legislativo, mas também não teve um bom retorno.
Para demonstrar sua indignação, os integrantes do Movimento Polícia Unida fizeram uma caminhada saindo do viaduto do DIA, em Aracaju, até o Palácio dos Despachos, na última quinta-feira (13). Durante o ato, os profissionais da categoria colocoram cruzes pretas sob o asfalto para lembrar os policiais e bombeiros que vieram a óbito enquanto trabalhavam.
Após o ato, o juiz Gilson Felix dos Santos determinou na sexta-feira (14), a suspensão da greve dos policiais e delegados de forma imediata, atendendo a ação impetrada pelo Governo do Estado, com pedido de antecipação de tutela. A decisão publicada no processo tem efeitos imediatos, com multa diária de R$ 50 mil em desfavor das classes policiais, caso eles voltem a realizar novas paralisações ou suspensões parciais de trabalho.
Na ação impetrada pelo Governo, uma das justificativas é a tese de que “O exercício do direito de greve, sob qualquer forma ou modalidade, é vedado aos policiais civis e a todos os servidores públicos que atuem diretamente na área de segurança pública”, conforme já apreciado pelo Supremo Tribunal Federal (SFT). No entanto, a categoria alega que as manifestações são legítimas e vão arriscar com mais um ato nesta segunda (17).
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