O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou, nesta terça-feira (14), uma resolução que classifica como de interesse público o pedido da Eletronuclear para que Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Caixa Econômica Federal avaliem a possibilidade de suspender temporariamente o pagamento das dívidas da Usina Termonuclear Angra 3.
A decisão, tomada por unanimidade, não altera os contratos firmados nem impõe obrigações às instituições financeiras. O texto apenas abre caminho para que os dois credores conduzam análises técnicas e jurídicas sobre a viabilidade do chamado acordo de standstill, instrumento usado no mercado para prorrogar prazos de amortização enquanto se reorganiza o fluxo de caixa de um empreendimento.
Angra 3 é o terceiro reator da Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto, em Angra dos Reis (RJ). As obras começaram em 1984, foram interrompidas várias vezes e permanecem sem data definitiva de conclusão. A Eletronuclear, responsável direta pela construção, era subsidiária da antiga Eletrobras estatal até a privatização da holding em junho de 2022. Depois, passou ao controle da Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPar), que, em outubro de 2025, vendeu 100% da companhia ao grupo J&F por R$ 535 milhões.
Segundo o Ministério de Minas e Energia (MME), o reconhecimento de interesse público integra o plano de reestruturação e modernização da governança do setor nuclear, sem interferir em cláusulas financeiras já pactuadas. A pasta reforçou que qualquer mudança nos cronogramas de pagamento dependerá exclusivamente da avaliação dos bancos.
“O standstill é uma prática comum no mundo corporativo e dá fôlego à empresa enquanto se decide o caminho para concluir Angra 3”, explicou o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, logo após a reunião do colegiado.
Silveira voltou a defender a conclusão da usina, citando a necessidade de reforçar a segurança do sistema elétrico nacional e de preservar os investimentos já realizados, estimados em bilhões de reais.
“É muito mais racional concluir Angra 3 do que enterrar os recursos aplicados. Temos a sétima maior reserva de urânio do planeta e tecnologia para terminar essa obra e até erguer novas usinas”, afirmou.
Com potência prevista de 1.405 megawatts, Angra 3 poderá suprir cerca de 3% da demanda de energia elétrica do país quando entrar em operação comercial. A Eletronuclear argumenta que a suspensão temporária das dívidas permitiria direcionar recursos para a retomada das atividades no canteiro de obras, além de atrair parceiros privados para a fase final do projeto.
O MME informou que prosseguirá com estudos sobre modelos de financiamento e parcerias que viabilizem a entrega do empreendimento, apontado pela pasta como estratégico para ampliar a participação da energia nuclear na matriz brasileira e reduzir a dependência de fontes fósseis.
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