O desempenho do setor de serviços registrou retração de 0,4% em maio, segundo a Pesquisa Mensal de Serviços divulgada nesta quarta-feira (15). O recuo interrompeu o avanço de 1,1% visto em abril e foi fortemente influenciado pelo grupo de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correios, que sozinho responde por 33,67% do índice geral.
Entre os cinco grandes grupos acompanhados, dois tiveram variações negativas de abril para maio: transportes (-1%) e outros serviços (-1,9%). Já serviços prestados às famílias (0,2%), informação e comunicação (0%) e serviços profissionais, administrativos e complementares (2%) sustentaram resultado positivo ou estável.
Mesmo com a queda pontual, o volume total de serviços permanece 19,6% acima do nível pré-pandemia, verificado em fevereiro de 2020, e apenas 0,5% inferior ao recorde histórico observado em outubro de 2025. Na comparação com maio de 2025, há crescimento de 0,4%, e, no acumulado de janeiro a maio, a alta chega a 1,9%. Nos últimos 12 meses, o avanço está em 2,6%, ritmo menor que os 2,9% registrados até abril.
“Houve menor receita das empresas de transporte aéreo de passageiros, transporte rodoviário de carga e de logística”
A análise é de Rodrigo Lobo, responsável pela pesquisa. Ele ressalta que o transporte de passageiros caiu 1,3% frente a abril, enquanto o transporte de cargas recuou 0,2%.
Por outro lado, o segmento de serviços destinados às famílias atingiu o maior patamar desde dezembro de 2014, resultado atribuído a fatores como baixa taxa de desemprego, massa salarial em elevação e inflação mais comportada.
O Índice de Atividades Turísticas (Iatur) também apresentou variação negativa (-0,4%) em maio, mas acumula crescimento de 1,7% nos últimos 12 meses. O turismo segue 10,8% acima do pré-pandemia, embora ainda 2,5% abaixo do pico registrado em dezembro de 2024. O indicador reúne 22 atividades específicas, incluindo hotéis, agências de viagens, bufês e transporte aéreo de passageiros.
Regionalmente, a pesquisa abrangeu 17 unidades da federação, entre elas Ceará, Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Goiás, Distrito Federal, Amazonas, Pará, Mato Grosso, Alagoas e Rio Grande do Norte.
As expectativas do mercado para maio variavam de ‑0,3% a 0,6%, com mediana em 0,0%, mostram dados da Secretaria de Política Econômica. O resultado, portanto, ficou no piso do intervalo projetado, evidenciando o impacto do freio logístico sobre o setor.
Analistas acompanham agora os dados de junho para avaliar se a desaceleração é pontual ou sinal de tendência. A combinação de indicadores de emprego estável com inflação controlada sugere espaço para retomada, mas gargalos nos modais de transporte ainda podem limitar o ritmo de expansão nos próximos meses.
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