Os mercados brasileiros encerraram a quinta-feira, 16/07, em modo defensivo. O dólar comercial avançou 0,40% e fechou vendido a R$ 5,098, nível mais alto em três semanas, depois de ter batido R$ 5,11 na máxima intradiária. O movimento acompanhou o fortalecimento da divisa norte-americana no exterior e refletiu a confirmação de uma tarifa de 25% sobre parte das exportações do Brasil para os Estados Unidos.
Apesar da alta desta sessão, a moeda ainda acumula queda de 7,12% em 2026. Analistas lembraram que números publicados nos Estados Unidos mostraram um mercado de trabalho resiliente — os pedidos semanais de seguro-desemprego totalizaram 208 mil, abaixo da previsão de 217 mil — e vendas no varejo alinhadas às expectativas, reforçando a perspectiva de juros elevados por mais tempo na maior economia do mundo. Juros altos lá tendem a atrair capital para ativos denominados em dólar, pressionando moedas de mercados emergentes.
No câmbio doméstico, o temor gira em torno do impacto do tarifaço sobre o fluxo de comércio e sobre setores específicos, mesmo com uma lista de exceções mais ampla do que a inicialmente divulgada. Produtos como aeronaves, óleo, café e carne ficaram de fora, mas segmentos metalúrgicos e químicos permanecem expostos.
“Não há justificativas para a medida norte-americana”, afirmou o governo brasileiro ao comentar a decisão de Washington.
Enquanto isso, o Ibovespa sentiu o peso da aversão global ao risco e cedeu 1,24%, terminando aos 173.825,27 pontos. Na semana, o índice acumula baixa de 2,27%, embora registre valorização de 7,88% no ano. Papéis de grande capitalização, como Petrobras e companhias de mineração, lideraram as perdas. As ações da petroleira recuaram em sintonia com o enfraquecimento dos preços internacionais do barril, que ignoraram a escalada das tensões no Oriente Médio e fecharam no vermelho.
O Brent caiu 0,85%, negociado a US$ 84,23, enquanto o WTI recuou 0,82%, a US$ 78,95. Operadores relataram forte volatilidade ao longo do dia, impulsionada por novas ameaças de grupos houthis, no Iêmen, contra instalações na Arábia Saudita e possíveis interrupções nas rotas estratégicas do Mar Vermelho e do Estreito de Ormuz.
Mesmo com o recuo de hoje, agentes de mercado mantêm em seus modelos um prêmio de risco geopolítico, temendo eventuais cortes de oferta que possam devolver sustentação aos preços nas próximas semanas. “O mercado de energia continua dirigindo boa parte da percepção de risco global”, comentou um operador.
Além do cenário externo, investidores monitoraram a possibilidade de o governo brasileiro acionar a chamada Lei da Reciprocidade em resposta ao tarifaço. Fontes do Executivo indicaram que eventuais contramedidas ainda estão sob análise técnica, o que adicionou mais incerteza às mesas de negociação.
Com a combinação de dólar mais forte, bolsa em queda e petróleo pressionado, a sessão desta quinta-feira terminou com tom de cautela generalizada. Para os próximos dias, a atenção se volta à divulgação de novos indicadores de atividade nos Estados Unidos e a eventuais anúncios sobre o contencioso comercial entre Brasília e Washington, fatores que podem continuar ditando o humor dos investidores locais.
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